O Serviço Secreto dos Estados Unidos lidou com dezenas de incidentes de segurança, incluindo vários envolvendo drones, sem ajustar suas políticas de proteção ou documentar as razões para a inação. A revelação vem de um relatório do Government Accountability Office (GAO), o órgão de auditoria do governo americano, divulgado na quinta-feira.
A omissão pode ter tido consequências diretas e graves. Segundo a reportagem da revista Fortune, que teve acesso ao documento, a falha em aprender com incidentes passados ajudou a ilustrar a ameaça emergente de drones civis — uma ameaça que se materializou no atentado contra o então candidato Donald Trump em 2024, na Pensilvânia, onde o atirador usou um drone para obter uma posição de tiro clara.
A burocracia do risco
O relatório do GAO é um retrato da inércia institucional. Entre 2015 e 2025, a agência registrou 83 incidentes de segurança, mas atualizou seus protocolos em resposta a apenas 25 deles. Os exemplos envolvendo drones são particularmente notórios: em 2015, um aparelho colidiu com a comitiva do presidente Barack Obama, e em outro momento, um drone sobrevoou a cerca de 200 pés (60 metros) de um comício do então candidato Bernie Sanders.
O problema central, segundo Nathan Tranquilli, diretor interino do GAO, não foi apenas a decisão de não alterar os procedimentos, mas a falha em documentar o porquê. Essa lacuna no registro impediu que a organização aprendesse com suas próprias experiências. “Algumas das informações ausentes foram relevantes para ataques subsequentes”, afirma o relatório, citando diretamente o incidente em Butler, onde o atirador operou um drone por 11 minutos sobre a multidão para se posicionar.
Um padrão de complacência
As falhas não se limitam aos drones. O documento aponta que oito de 22 políticas de proteção não foram atualizadas dentro do prazo obrigatório de quatro anos. Um memorando de entendimento com o Serviço de Segurança Diplomática, que define responsabilidades na proteção presidencial no exterior, não é revisto desde 1991, ignorando a evolução das ameaças.
Diante das conclusões, o GAO emitiu três recomendações. A principal delas é que o Serviço Secreto passe a exigir que a justificativa para não atualizar uma política após um incidente seja formalmente documentada. O Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona a agência, concordou com todas as recomendações e planeja implementar as mudanças. Para uma agência cuja missão é de “falha zero”, a constatação é que a lentidão burocrática pode, por si só, criar as vulnerabilidades mais perigosas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





