O setor de serviços brasileiro registrou um desempenho superior ao esperado em abril, com um avanço de 1,2% no volume de atividades em relação a março. O dado, divulgado pelo IBGE, superou a projeção de 0,6% feita por analistas ouvidos pela Reuters e reverteu integralmente a retração de 1,1% observada no mês anterior. Em termos interanuais, a expansão foi de 1,9%, também acima das estimativas de mercado. Com esse movimento, o setor, que representa cerca de 70% da economia nacional, volta a operar a apenas 0,3% de seu topo histórico, atingido em outubro de 2025.

A dinâmica da recuperação

Segundo o IBGE, a oscilação recente é parcialmente explicada por fatores sazonais e pelo calendário de dias úteis. Março foi um mês atípico, com 22 dias úteis, o que pressionou o modelo de ajuste sazonal e resultou em um dado negativo. Abril, por sua vez, beneficiou-se de uma base de comparação mais baixa, permitindo que todas as cinco atividades monitoradas pelo instituto apresentassem ganhos. O setor de transportes, um dos principais motores do índice, registrou alta de 0,9%, impulsionado especialmente pelo segmento aéreo.

O impacto dos preços no transporte

O transporte aéreo de passageiros foi o grande destaque positivo, com um avanço expressivo de 7,0% após dois meses de resultados negativos. Essa volatilidade, contudo, reflete menos a demanda estrutural e mais a sensibilidade aos preços das passagens. Após uma alta acumulada de 18,4% nos preços entre fevereiro e março, o item registrou queda de 14,45% em abril, conforme dados do IPCA. Esse alívio pontual nos custos para o consumidor final foi o gatilho necessário para impulsionar o volume de passageiros, evidenciando como a inflação setorial dita o ritmo de consumo em serviços essenciais.

Desafios estruturais e próximos passos

Embora o resultado de abril seja positivo, o setor ainda enfrenta o desafio de um cenário macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas. O primeiro trimestre de 2026 encerrou com uma expansão moderada de 0,5%, refletindo a cautela dos agentes econômicos. O mercado de trabalho aquecido tem servido como um importante suporte, mas a sustentabilidade dessa trajetória de crescimento dependerá de como o consumo das famílias reagirá aos próximos ciclos de política monetária e à estabilidade de preços em setores intensivos em capital.

O que observar daqui pra frente

O setor de atividades turísticas, que cresceu 4,1% em abril após dois meses de perdas, ainda permanece 2,2% abaixo do ápice histórico de dezembro de 2024. A questão central para os próximos meses é se o setor de serviços conseguirá manter o ritmo de expansão sem depender de correções sazonais ou de volatilidade nos preços de passagens aéreas. A resistência do setor será testada pela capacidade de converter o emprego forte em consumo estável, mantendo a trajetória de recuperação próxima ao topo da série.

O desempenho de abril reforça a resiliência do setor de serviços, mas a volatilidade recente sugere que a economia ainda opera em um equilíbrio sensível aos custos imediatos do consumidor. A sustentação dessa curva de alta será o principal indicador da saúde econômica nacional no segundo semestre.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times