Membros do sindicato do Wexner Center for the Arts protocolaram uma solicitação formal junto à liderança da Ohio State University exigindo a remoção do nome de Leslie Wexner da fachada da instituição. A decisão, tornada pública pelo grupo Wexner Workers United, fundamenta-se nos laços documentados entre o empresário e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Segundo o sindicato, o nome de Wexner aparece mais de 1.300 vezes nos arquivos do Departamento de Justiça dos EUA relacionados ao caso.

A carta enviada à presidência e ao conselho da universidade argumenta que a permanência da nomenclatura fere os pilares de integridade e inclusão da instituição. O documento destaca que o staff, composto majoritariamente por estudantes, sofre assédio recorrente devido à associação. Além disso, o sindicato relata que artistas contemporâneos têm recusado colaborações com o centro de artes justamente pelo estigma causado pela ligação histórica de Wexner com Epstein.

Precedentes no mundo da arte

A pressão por mudanças nominais em instituições culturais não é um fenômeno isolado. O movimento liderado pelos trabalhadores do Wexner Center segue um padrão global de escrutínio sobre a origem de grandes doações e o histórico ético de patronos. Em 2019, o Museu do Louvre removeu o nome da família Sackler de suas galerias, após intensas críticas sobre o papel da família na crise dos opioides nos Estados Unidos.

O efeito dominó atingiu instituições de peso, como o Metropolitan Museum of Art, que cedeu a pressões de artistas renomados como Kara Walker e Nan Goldin. Guggenheim e Serpentine Galleries também seguiram a mesma direção, retirando nomes de doadores cujas trajetórias foram postas em xeque por escândalos públicos. Para a universidade, o caso atual coloca à prova suas políticas internas sobre conduta inapropriada e a manutenção de legados em espaços públicos.

O peso dos arquivos Epstein

Leslie Wexner, fundador da Bath & Body Works, tornou-se alvo de renovado escrutínio em 2024, após a liberação de novos documentos judiciais. Embora tenha negado reiteradamente qualquer conhecimento ou participação nas atividades criminosas de Epstein, sua relação com o falecido gestor de fundos sempre foi objeto de questionamentos. O caso ressalta a dificuldade de separar a trajetória de um mecenas de suas conexões pessoais, especialmente quando estas envolvem redes de tráfico sexual.

O mecanismo de pressão exercido pelo sindicato é um desdobramento da transparência exigida pelo Congresso americano sobre os arquivos do caso. A leitura editorial aqui é que a instituição agora enfrenta um dilema clássico: proteger a reputação de um doador histórico ou alinhar sua marca aos valores atuais de sua comunidade acadêmica e artística.

Tensões institucionais e stakeholders

A resistência de artistas em trabalhar com o centro de artes ilustra como a reputação de um doador pode comprometer a missão final de uma instituição cultural. Para a Ohio State University, a permanência do nome de Wexner não é apenas um debate sobre passado, mas uma barreira operacional que afeta a curadoria e a atração de talentos. O impacto financeiro e reputacional de uma eventual renomeação é, sem dúvida, o ponto de maior tensão para o conselho da universidade.

Do ponto de vista dos reguladores e da comunidade acadêmica, a questão levanta debates sobre governança e a responsabilidade de instituições de ensino superior em revisar suas homenagens. O caso Wexner reflete uma mudança de paradigma, onde a ética do doador passa a ser tão relevante quanto o montante da doação para a sustentabilidade da marca institucional.

Perspectivas e interrogações

O desfecho desta solicitação permanece incerto, uma vez que a universidade ainda não detalhou como pretende lidar com o pedido do sindicato. A decisão exigirá um equilíbrio delicado entre o respeito aos contratos de doação e a pressão social por uma revisão ética mais rigorosa.

O que se observa agora é se outras instituições acadêmicas que possuem centros batizados por Wexner seguirão o mesmo caminho. A movimentação do sindicato em Columbus serve como um termômetro para a tolerância de instituições públicas quanto à manutenção de legados sob suspeita.

O debate sobre a remoção de nomes está longe de uma conclusão, sendo um reflexo das tensões entre a filantropia histórica e a consciência social contemporânea. A trajetória do Wexner Center for the Arts nos próximos meses indicará se as políticas universitárias são resilientes o suficiente para absorver essa nova demanda de transparência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews