Uma mina de cobre a céu aberto no Arizona, desativada nos anos 1980, tornou-se o laboratório para uma nova fronteira da mineração. A SiTration, uma startup nascida no MIT, iniciou um projeto-piloto para extrair cobre diretamente da água acumulada no local. Segundo reportagem da Fast Company, a iniciativa, feita em parceria com a gigante da mineração BHP, busca validar uma tecnologia que transforma um passivo ambiental em uma fonte de um dos metais mais críticos para a economia global.
A aposta da SiTration endereça um problema duplo. De um lado, a demanda por cobre — essencial para data centers, redes elétricas e veículos elétricos — deve crescer mais de 50% até 2040, enquanto um déficit de 10 milhões de toneladas métricas é esperado para o mesmo período. Do outro, a qualidade do minério extraído de fontes tradicionais caiu quase pela metade desde 1990, e o processo para abrir novas minas pode levar mais de duas décadas. Minas abandonadas, que se enchem de água da chuva e subterrânea, são normalmente vistas como um risco a ser monitorado. Essa água, no entanto, torna-se uma sopa diluída de minerais, incluindo cobre, em concentrações antes consideradas inviáveis para extração.
A tecnologia que une extração e refino
É justamente nessa baixa concentração que a tecnologia da SiTration atua. Utilizando um processo eletroquímico com um material de eletrodo proprietário, a startup consegue extrair e depositar o cobre em placas metálicas prontas para o mercado. O método dispensa o uso de produtos químicos ou calor, e, segundo a empresa, consome de cinco a seis vezes menos energia que a mineração e refino convencionais. Na prática, a inovação colapsa duas etapas — extração e refino — em uma só.
O piloto inicial, que deve durar dois meses, tem a meta de produzir duas toneladas de cobre. O volume é modesto, mas o objetivo não é a produção em si, e sim a prova de conceito. A parceria com a BHP, que também é investidora na SiTration, confere um selo de validação crucial do setor.
O sucesso da empreitada não será medido em toneladas, mas no potencial de redefinir o que é um recurso minerável. A questão que permanece é se a tecnologia pode escalar de forma economicamente viável para além dos projetos-piloto, transformando o vasto legado ambiental da indústria em uma nova e estratégica fonte de materiais para a transição energética.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





