A Skulptur Projekte Münster, uma referência global em arte pública, anunciou nesta quarta-feira (4) 13 novas comissões artísticas que serão apresentadas pela cidade alemã em sua sexta edição, a partir de junho de 2027. A exposição, que celebra seu 50º aniversário, ganha um novo contorno sob a direção curatorial do coletivo What, How & for Whom / WHW (composto por Ivet Ćurlin, Nataša Ilić e Sabina Sabolović), e ocorre pela primeira vez após o falecimento de seu cofundador, Kasper König, em 2024.

Contexto Histórico e Curatorial

No cerne da Skulptur Projekte 2027 está a Paz de Vestfália, o tratado de 1648 que encerrou a Guerra dos Trinta Anos e teve parte de suas negociações em Münster. A cidade, que desde então adota o lema "paz através do diálogo", servirá como pano de fundo para artistas que, segundo os curadores, contrastam essa história com "o envolvimento de Münster na longa história de combate violento da Europa". A exposição pretende abordar o momento atual, "um mundo moldado por guerras e conflitos latentes", conforme comunicado oficial. A curadoria do WHW busca explorar como a arte pode não apenas mostrar, mas também conter e processar as rupturas e perdas recentes, oferecendo espaço para vozes, luto, consolo e propostas de alternativas.

Novas Comissões e Temáticas

Entre as 13 novas comissões anunciadas, destacam-se trabalhos de Ali Cherri, Kapwani Kiwanga e Nolan Oswald Dennis. Ali Cherri apresentará esculturas de grande escala no jardim do Officers’ Casino, um complexo militar construído pelos nazistas e utilizado pelas forças britânicas até 2012. Kapwani Kiwanga explorará a "força ambígua da água", abordando desde suas propriedades nutritivas até seu potencial destrutivo, como o dilúvio que assolou Münster em 1660. Nolan Oswald Dennis, por sua vez, mapeará o bairro de Berg Fidel, no sul de Münster, "no cosmos e vice-versa, construindo um observatório como um dispositivo calendárico hiperlocal". Kosen Ohtsubo, estudiosa de ikebana desde os anos 1960, transformará macieiras locais, já sem capacidade de frutificar, em uma instalação de grande porte no centro da cidade.

O Papel da Arte Pública

O coletivo WHW ressalta que uma obra de arte no espaço público "não precisa competir por visibilidade em um mundo já saturado; pode oferecer tempo para testemunhar, sentir e permanecer com o que não pode ser facilmente resolvido". Em um momento em que "propostas políticas e econômicas lutam para tornar um futuro positivo imaginável", a esperança da Skulptur Projekte 2027 é que esses encontros com a arte permitam que perspectivas, frequentemente mal representadas ou obscurecidas, sejam sentidas e reconhecidas, sem forçar consensos. A lista completa de comissões inclui Mercedes Azpilicueta, Alice Creischer e Andreas Siekmann, Natascha Sadr Haghighian, Vlatka Horvat, Iman Issa, Anton Kats, Hew Locke, Oscar Murillo, Myvillages, Khalil Rabah, Ashfika Rahman, Selma Selman e Iza Tarasewicz, além das já mencionadas.

Perguntas em Aberto e o Futuro

A edição de 2027 da Skulptur Projekte Münster se apresenta como um marco não apenas pela celebração de cinco décadas, mas também pela sua relevância temática em um cenário global de tensões e conflitos. A escolha curatorial de revisitar a história de "paz através do diálogo" em Münster, contrastando-a com a violência presente, convida a uma reflexão profunda sobre o papel da arte contemporânea. Resta saber como as obras, dispersas pela cidade, dialogarão com o público e com as cicatrizes históricas e atuais do local, promovendo um espaço para contemplação e debate em um mundo que clama por novas narrativas e resoluções.

A exposição promete ser um ponto de encontro para a arte e a reflexão, explorando as complexidades do presente através de intervenções urbanas significativas. Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews