O SoftBank Group acertou a aquisição do Robotics and AI Institute (RAI), o centro de pesquisa em robótica e inteligência artificial criado pelo fundador da Boston Dynamics, Marc Raibert. A transação, cujos termos financeiros não foram revelados, está sob análise do Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos (CFIUS), um procedimento padrão para aquisições de empresas americanas por entidades estrangeiras.
O movimento é mais do que uma simples transação: é um reencontro estratégico. O conglomerado japonês, que foi dono da Boston Dynamics entre 2017 e 2021, agora readquire uma peça fundamental do legado de Raibert, que havia sido desmembrada e financiada pela Hyundai como parte da aquisição da própria Boston Dynamics. A leitura é que, para o SoftBank, a aposta no futuro da automação passa por controlar não apenas os robôs, mas o cérebro por trás deles.
O Xadrez da Robótica Avançada
A história recente da robótica de ponta é uma ciranda corporativa. A Boston Dynamics passou pelo Google, foi vendida ao SoftBank por cerca de US$ 100 milhões, e depois teve seu controle adquirido pela Hyundai em um acordo que a avaliou em US$ 1,1 bilhão. Foi nesse momento, em 2022, que o RAI nasceu, com um investimento inicial de mais de US$ 400 milhões da montadora sul-coreana. Segundo a reportagem do The Robot Report, essa verba inicial chegou ao fim, abrindo a porta para um novo dono.
Para o SoftBank, a aquisição do RAI é uma peça que se encaixa em uma estratégia maior. O instituto foi responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de aprendizado que permite os movimentos acrobáticos do novo robô Atlas. Ao comprar o RAI, o SoftBank não compra um produto, mas a fonte da propriedade intelectual que define a vanguarda do setor. O movimento acontece em paralelo a rumores de que o grupo japonês também estaria interessado no negócio de robótica da ABB, gigante da automação industrial. A combinação do alcance industrial da ABB com a pesquisa de ponta do RAI criaria um player formidável e integrado.
Enquanto a Hyundai parece focada em integrar o hardware e os produtos da Boston Dynamics em sua estratégia de "IA física", o SoftBank faz uma aposta diferente. O conglomerado de Masayoshi Son parece disposto a financiar a pesquisa fundamental, um jogo de longo prazo e alta intensidade de capital que poucos podem bancar. A mensagem é clara: o valor duradouro na robótica pode não estar apenas no corpo metálico que executa tarefas, mas na inteligência que o permite aprender a executá-las de formas cada vez mais complexas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Robot Report




