A Sotheby's está entrando, ainda que temporariamente, no ramo da gastronomia. Durante a próxima edição da feira Art Basel Paris, a casa de leilões irá operar o "Chez Sotheby's", um restaurante exclusivo montado dentro de um apartamento na Rue de Rivoli. O local servirá de vitrine para uma coleção de arte avaliada em quase US$ 150 milhões.

A iniciativa, no entanto, é mais do que uma simples exposição com serviço de bar. Trata-se de um movimento calculado para refinar a experiência de compra de arte de alto padrão. Ao fundir galeria, restaurante e um salão parisiense, a Sotheby's aposta em um ambiente mais social e menos intimidante para negociar obras de mestres como Pablo Picasso, Henri Matisse e Andy Warhol.

Jantar, olhar e comprar

A estratégia por trás do "Chez Sotheby's" é romper com a formalidade das galerias e casas de leilão tradicionais. Em vez do cubo branco asséptico, a empresa propõe uma experiência que emula o ambiente doméstico de um colecionador sofisticado — um espaço onde se pode almoçar, tomar um martini preparado pelo ex-chefe de bar do Ritz e, casualmente, decidir comprar uma obra de Gerhard Richter.

Segundo reportagem da ARTnews, o projeto busca juntar "arte e pessoas em um ambiente que parece natural, social e distintamente parisiense". A venda das obras, que constitui a exposição de venda privada mais valiosa já montada pela Sotheby's na Europa, ocorre de forma discreta, longe do frenesi de um leilão público. A ideia é transformar o ato da compra em um evento social e cultural.

O movimento sinaliza uma tendência maior no mercado de luxo, onde a experiência se torna tão valiosa quanto o produto. A Sotheby's não está apenas vendendo arte; está vendendo acesso a um estilo de vida onde cultura e consumo se fundem de maneira fluida. Para a clientela de altíssimo poder aquisitivo, a oportunidade de avaliar um Picasso entre o prato principal e a sobremesa pode ser o argumento de venda definitivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews