O grupo de comunicação americano Stagwell está trazendo ao Brasil a Allison, sua agência focada em relações públicas institucionais e, principalmente, gestão de crises. Para comandar a operação, a escolha foi estratégica: Ana Laura Sivieri, que nos últimos 15 anos esteve à frente do marketing e da comunicação da Braskem, uma companhia que navegou crises de alta complexidade.
A aposta da Stagwell, um grupo de US$ 2 bilhões listado na Nasdaq, sinaliza a maturidade do mercado brasileiro para a chamada “economia da reputação”. Onde há risco reputacional, há oportunidade de negócio, e a tese é que a blindagem de imagem corporativa tornou-se um serviço de alto valor, tão essencial quanto o jurídico ou o financeiro. A escolha de uma executiva que viveu o desafio na prática é a principal credencial da nova operação.
A arquitetura da reputação
O movimento foi articulado internamente. Segundo reportagem do Brazil Journal, a vinda da Allison foi uma iniciativa de Daniela Graicar, CEO da PROS, agência de 'brand PR' que a Stagwell adquiriu há dois anos. A nova operação se beneficiará do 'cross-selling' com a base de clientes da PROS, indicando uma estratégia de integração em vez de uma aposta isolada. A agência já inicia suas atividades com clientes do porte de Itaú e Vibra.
Sivieri, que se reportará a Graicar e a Vinicius Reis, presidente da Stagwell para a América Latina, ressalta que o trabalho começa muito antes da crise. “É preciso construir um colchão reputacional nas companhias”, afirmou ao Brazil Journal. A atuação da Allison vai além do gerenciamento reativo, englobando a construção de imagem no longo prazo e o mapeamento de riscos emergentes, como as inconsistências geradas por ferramentas de inteligência artificial, que se tornam uma nova fonte de pesquisa e formação de opinião sobre as marcas.
A chegada da Allison ao Brasil não é apenas sobre expandir um portfólio de serviços. É um termômetro que mede a temperatura do ambiente de negócios no país. A crescente complexidade regulatória, a pressão de pautas ESG e a volatilidade das narrativas digitais criaram uma demanda permanente por uma gestão de imagem mais sofisticada, que atue na prevenção e na mitigação de riscos, e não apenas na resposta a eles.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





