O Bank of America (BofA) passou a enxergar o copo meio cheio para a Suzano. O banco elevou sua recomendação para as ações da maior produtora de celulose do mundo de neutra para compra, ajustando o preço-alvo para R$ 66 por ação e US$ 13 por ADR. A mudança de tom reflete a percepção de que o pior momento para a commodity pode estar chegando ao fim.

A tese, no entanto, não é um endosso estrutural ao setor, mas uma aposta tática na virada do ciclo. Segundo relatório do BofA, a melhora se apoia em três fatores: a proximidade de uma inflexão nos preços da celulose, um potencial vento a favor vindo do câmbio e um valuation considerado atrativo. Para o banco, o fundo do poço está próximo.

Os três pilares do otimismo

O principal argumento para a compra é a dinâmica de preços da celulose. Após conversas com participantes da indústria, os analistas do BofA se dizem mais convencidos de que a commodity está perto de atingir seu piso. As carteiras de pedidos teriam melhorado em julho e agosto, enquanto os estoques dos compradores permanecem baixos. Com a sazonalidade mais favorável a partir de setembro, o banco elevou sua estimativa para o piso da celulose de fibra curta de US$ 520 para US$ 550 por tonelada.

O segundo fator é o câmbio. Uma eventual desvalorização do real, especialmente no contexto eleitoral brasileiro, poderia beneficiar os resultados da Suzano, que tem suas receitas fortemente dolarizadas. Por fim, o valuation é o terceiro pilar. O BofA projeta um rendimento do fluxo de caixa livre (FCF yield) de 14% para 2027, patamar considerado atrativo mesmo em um cenário conservador de preços no longo prazo.

Virada tática, não estratégica

Apesar do upgrade, o BofA faz questão de qualificar seu otimismo. A recomendação é uma aposta na “virada cíclica, não uma tese estrutural”. A visão de longo prazo para o mercado de celulose permanece cautelosa. Fatores como margens fracas na indústria de papel e a entrada de nova capacidade produtiva no mercado global devem continuar limitando o potencial de alta da commodity.

Na prática, isso significa que, embora se espere uma recuperação dos níveis atuais, a magnitude e, principalmente, a duração do movimento são incertas. Os analistas do banco acreditam que a região de US$ 600 por tonelada deve funcionar como um teto para os preços, sugerindo que a janela de oportunidade pode ser mais curta do que um otimismo superficial indicaria.

Para o investidor, a análise do BofA funciona como um mapa de um terreno complexo. A aposta é em uma recuperação de curto prazo, bem definida e com limites claros. O desafio será navegar o timing da inflexão cíclica sem perder de vista os ventos contrários que ainda definem a estrutura do setor no horizonte mais longo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times