A Suzano, maior produtora de celulose do mundo, deu um passo estratégico para diversificar suas apostas em logística. A companhia assinou um acordo para adquirir 10% da Imetame Logística Porto, empresa responsável pelo desenvolvimento de um novo complexo portuário em Aracruz, no Espírito Santo. A transação, segundo comunicado ao mercado, não envolve desembolso de caixa.
Em vez de capital, a Suzano aportará terrenos de sua propriedade, considerados estratégicos para o projeto. A leitura é clara: trata-se de uma manobra de otimização de balanço, transformando um ativo imobiliário em uma participação acionária em infraestrutura, um setor com potencial de valorização de longo prazo. O movimento ocorre em um momento em que a disciplina de capital da Suzano está sob os holofotes do mercado.
A estratégia por trás do ativo
O negócio permite à Suzano monetizar um ativo não operacional e, ao mesmo tempo, ganhar exposição a um projeto de infraestrutura com parceiros de peso. O hub portuário é uma joint venture que inclui a Hanseatic Global Terminals, divisão de terminais da Hapag-Lloyd, a quinta maior armadora de contêineres do mundo. Essa parceria mitiga riscos de execução e sinaliza uma demanda já ancorada para o futuro terminal, que prevê o início de operações de carga geral em 2027 e de contêineres em 2028. Para a Suzano, a participação de 10% é uma posição minoritária, mas que lhe garante um assento na mesa e inteligência sobre um corredor logístico vital, sem os custos e as complexidades de liderar o investimento.
Disciplina de capital em foco
O fato de a aquisição não exigir capex relevante é o ponto central da tese. Após a recente e abandonada investida sobre a International Paper, que gerou preocupações sobre um possível aumento do endividamento, este novo negócio funciona como um contraponto. A Suzano sinaliza que seu crescimento pode vir também de movimentos criativos e de baixo desembolso. A empresa reforça que a operação não terá impacto em seu desempenho operacional e que não há aportes de capital previstos para 2026 relacionados ao acordo. É uma forma de buscar crescimento e criação de valor sem comprometer métricas financeiras, como o FCF Yield de quase 13% que a destaca no setor.
Com a conclusão da transação ainda sujeita a aprovações regulatórias, a Suzano posiciona uma peça importante em seu tabuleiro de longo prazo. O sucesso da aposta dependerá da execução do projeto pela Imetame e seus sócios, mas para a gigante da celulose, o custo de entrada foi notavelmente baixo, trocando terra por uma janela para o futuro do comércio exterior brasileiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





