A alemã Tado, especializada em dispositivos para casa inteligente, está lançando seu novo Smart Thermostat X. O movimento é uma resposta direta à saída do Google do mercado europeu de termostatos, uma decisão que levou a própria gigante de tecnologia a indicar a Tado como alternativa para seus clientes.
O lançamento não é apenas uma atualização de portfólio, mas uma jogada estratégica para ocupar o vácuo deixado pelo Google Nest. A tese da Tado é que a instabilidade e a mudança de foco das Big Techs em certos verticais de hardware abrem uma janela de oportunidade para empresas especializadas e com atuação regional consolidada.
O vácuo deixado pelo gigante
O terreno para a Tado foi preparado pelo próprio Google. Segundo Christian Deilmann, cofundador da empresa, em entrevista ao The Verge, a decisão do Google de descontinuar os servidores para as duas primeiras gerações de seus termostatos Nest gerou um "volume significativo de vendas" para a companhia alemã. O alvo agora é a base de usuários da terceira geração do Nest, consideravelmente maior no continente.
Embora o Google ainda ofereça suporte a este modelo, a percepção no mercado, que a Tado busca capitalizar, é de que o compromisso da empresa com a categoria na Europa é frágil. Para o consumidor, o episódio serve como um alerta sobre os riscos de investir em ecossistemas de hardware controlados por gigantes cujas prioridades estratégicas podem mudar abruptamente. A Tado se posiciona como uma alternativa focada e estável.
A aposta no padrão aberto
O novo Smart Thermostat X é a segunda geração de dispositivos da empresa a adotar o padrão Matter-over-Thread. A escolha tecnológica é fundamental: Matter é o protocolo de conectividade de código aberto que promete interoperabilidade entre dispositivos de casa inteligente de diferentes fabricantes, incluindo Apple, Amazon e o próprio Google.
Ao abraçar um padrão aberto, a Tado sinaliza uma estratégia que vai além de simplesmente substituir o Nest. A empresa se posiciona como um player relevante na próxima fase da casa conectada, uma fase que promete ser menos dependente de ecossistemas fechados. É uma aposta na interoperabilidade como argumento de venda para consumidores que se tornaram céticos em relação ao aprisionamento tecnológico (vendor lock-in).
O sucesso da ofensiva da Tado servirá como um termômetro para o mercado. A questão não é apenas quantos usuários do Nest irão migrar, mas se uma empresa focada, que aposta em padrões abertos, pode construir um negócio sustentável na sombra — e com os destroços — deixados por uma Big Tech.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Verge





