A Telefónica vai pagar um adicional de €1,65 bilhão nos próximos cinco anos para garantir que seus clientes tenham acesso a todos os jogos de LaLiga, a primeira divisão do futebol espanhol. O acordo, firmado com a plataforma de streaming esportivo DAZN, cobre as temporadas de 2027/28 a 2031/32 e representa um prêmio de €330 milhões por ano.
Segundo reportagem do site espanhol Xataka, a operadora já detinha os direitos de cinco dos dez jogos por rodada. O novo desembolso não visa expandir sua presença, mas sim consolidá-la. A tese é que, em um cenário de crescente fragmentação de conteúdo, oferecer "tudo em um só lugar" é a principal barreira de defesa para seu negócio central de telecomunicações — mesmo que o custo para isso seja cada vez maior.
A fortaleza do 'tudo em um'
Para a Telefónica, o futebol não é um produto final, como uma série é para a Netflix. Ele funciona como um ativo estratégico, uma âncora para vender pacotes de maior valor agregado que incluem fibra ótica, telefonia móvel e outros serviços. O cliente que deseja acompanhar todos os jogos de seu time tem um forte incentivo para não cancelar seu contrato com a operadora. O acordo com a DAZN é o preço pago para manter essa proposta de valor intacta.
O custo dessa estratégia está subindo. O novo contrato é 17,9% mais caro por temporada do que o acordo similar fechado em 2022. O movimento sinaliza que, ao contrário do entretenimento geral, o valor dos direitos de transmissão de esportes ao vivo continua a inflacionar. A Telefónica paga para que seu assinante não precise ter uma segunda assinatura, a da DAZN, para ver o campeonato completo.
O paradoxo do streaming esportivo
O negócio do futebol opera em uma lógica inversa à do streaming convencional. Enquanto os espectadores se acostumaram a pular entre diferentes plataformas de filmes e séries, o fã de esporte preza pela agregação. A Telefónica explora essa demanda, mas o acordo não é exclusivo: a DAZN recebe o pagamento e continua livre para comercializar seus jogos de forma independente.
A operadora espanhola, por sua vez, mitiga parte do investimento bilionário ao atuar como uma distribuidora atacadista. A revenda de direitos para outras operadoras, como a MasOrange, gera uma receita estimada entre €300 milhões e €400 milhões anuais. Na prática, a Telefónica se posiciona como um hub central do ecossistema de mídia esportiva na Espanha.
No fim, a conta é repassada ao consumidor. O custo para ter acesso a todo o futebol na Movistar, plataforma da Telefónica, já acumula um aumento de mais de 31% desde a temporada 2016/17. A aposta da Telefónica é que o valor de ter tudo em um só lugar justifica o preço, mas a questão que fica é até quando essa escalada de custos será sustentável para todas as partes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





