A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido confirmou a entrada na segunda fase da análise regulatória sobre a aquisição da Netomnia pela Nexfibre. A operação, avaliada em 2 bilhões de libras esterlinas, é articulada pela joint venture formada por Telefónica, Liberty Global e InfraVia Capital, que busca consolidar sua infraestrutura de fibra óptica no mercado britânico.

Diante do escrutínio, o consórcio solicitou formalmente um procedimento acelerado ao órgão regulador. A estratégia visa mitigar atrasos que, segundo o CEO da Nexfibre, Rajiv Datta, apenas beneficiam o operador incumbente e retardam a expansão de uma concorrência efetiva no setor de telecomunicações do país.

O peso estratégico da Nexfibre

A aquisição da Netomnia não é um movimento isolado, mas parte central do plano estratégico 'Transform & Grow' da Telefónica. Para a operadora espanhola, o Reino Unido permanece como um mercado fundamental, onde já compartilha o controle da Virgin Media O2 com a Liberty Global. A integração da Netomnia visa fortalecer a posição do grupo frente à British Telecommunications (BT), especificamente em relação à sua filial de rede, a Openreach.

A leitura de mercado aqui é que o setor de fibra no Reino Unido vive um momento crítico de consolidação. A Nexfibre argumenta que a união de ativos criará uma alternativa sustentável e de larga escala ao que descrevem como o monopólio da BT Openreach. A urgência demonstrada pelos sócios reflete a necessidade de ganhar terreno rapidamente em um ambiente de alta intensidade de capital.

Mecanismos de financiamento e operação

A estrutura do negócio revela um esforço coordenado de capital. Telefónica e Liberty Global aportarão 150 milhões de libras cada, enquanto a InfraVia contribuirá com 850 milhões. Após a conclusão, a Nexfibre planeja transferir o braço varejista da Netomnia, que inclui marcas como Youfibre e BRSK, para a Virgin Media O2. Em contrapartida, a VMO2 receberá cerca de 1,1 bilhão de libras em dinheiro, comprometendo-se a utilizar a rede da Nexfibre para tráfego atacadista.

Este arranjo permite que a Nexfibre foque na expansão da infraestrutura enquanto a VMO2 assume a operação comercial. O plano é alcançar uma cobertura de 8 milhões de unidades imobiliárias com fibra completa até 2027. A escala total da operação, somando a rede da VMO2, projeta um horizonte de 20 milhões de conexões, alterando significativamente o mapa de conectividade britânico.

Tensões competitivas e stakeholders

A pressão sobre a CMA destaca a tensão entre a necessidade de regulação rigorosa e o desejo das empresas por agilidade em setores de infraestrutura intensiva. Reguladores britânicos têm sido cautelosos com movimentos que possam reduzir o número de players independentes, mas o consórcio aposta que a escala é o único caminho para viabilizar a competição contra a BT.

Para o ecossistema brasileiro, o movimento da Telefónica no Reino Unido serve como um termômetro para a estratégia global da companhia. A empresa tem equilibrado a gestão de dívidas e investimentos em infraestrutura de fibra em mercados maduros enquanto mantém foco em eficiências operacionais em suas operações na América Latina.

Perspectivas e incertezas

O desfecho da segunda fase da CMA permanece como a principal variável. A capacidade de convencer os reguladores de que a fusão, embora reduza o número de competidores, aumenta a eficiência e a qualidade da rede, será determinante para a aprovação final.

O mercado aguarda para ver se a promessa de uma alternativa real à Openreach será suficiente para satisfazer as exigências de defesa da concorrência. O desenrolar deste caso definirá o ritmo de futuras consolidações no mercado europeu de telecomunicações.

A movimentação da Telefónica sublinha como a infraestrutura digital está sendo moldada por grandes consórcios de capital privado e operadoras tradicionais, forçando os reguladores a reavaliar o que constitui um mercado competitivo na era da fibra óptica em larga escala. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España