A Tenax Capital decidiu recalibrar sua estratégia de investimentos, um movimento que reflete as profundas mudanças no mercado brasileiro. A gestora encerrou seu fundo multimercado em dezembro para se concentrar em duas verticais: crédito e ações, tanto no Brasil quanto no exterior. A decisão, segundo o fundador Alexandre Silvério, é resultado de uma reflexão sobre a demanda dos investidores e as competências da casa.
A manobra da Tenax não é um caso isolado. Com a taxa Selic em patamares elevados, o ambiente para retornos que superem a renda fixa tornou-se adverso, pressionando toda a indústria de gestão de ativos. Gestoras de diferentes portes, da gigante SPX a casas como Giant Steps e Velt, têm sido forçadas a rever seus modelos de negócio. O movimento da Tenax é sintomático de uma era que exige mais foco e especialização.
O ocaso do generalista
O modelo de fundo multimercado, que por anos foi a estrela da indústria brasileira, encontra-se sob forte pressão. O desafio de superar consistentemente um CDI alto tornou a proposta de valor mais complexa. Para a Tenax, a resposta foi abandonar o campo generalista e apostar em teses mais específicas, onde acredita ter uma vantagem competitiva. A estratégia agora é construir produtos de crédito e ações com teses claras e liderança sênior.
Para liderar a nova fase, a gestora recrutou nomes de peso. Ricardo Nunes, com passagens por Itaú e ASA, assume a área de crédito. Fernando Gonçalves, ex-sócio e head de ações globais da SPX, torna-se co-CIO e o segundo maior sócio da casa. As contratações sinalizam uma aposta em track record e senioridade para atrair capital e dar tração às novas frentes.
A busca por escala e rentabilidade
A reestruturação vem com uma meta ambiciosa: saltar de um AUM atual de cerca de R$ 900 milhões para uma faixa entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões em 12 meses. O crescimento é fundamental não apenas para a relevância da plataforma, mas para a própria sustentabilidade do negócio, que, segundo Silvério, opera com “dividendo zero” para os sócios principais.
O plano inclui o lançamento de novos fundos de crédito, um atrelado à inflação e outro com perfil mais livre, para explorar títulos corporativos. A aposta é que a especialização, combinada à experiência dos novos gestores, permitirá à Tenax navegar o ciclo atual de forma mais eficiente, convertendo expertise em performance e, consequentemente, em captação.
A decisão da Tenax é uma aula sobre adaptação em um mercado que não perdoa inércia. A troca de um modelo consagrado por uma aposta focada é um risco calculado, mas que pode definir a sobrevivência e o crescimento da gestora no novo cenário macroeconômico.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





