A galeria White Cube, uma das mais influentes do circuito global, anunciou a representação do artista Tesfaye Urgessa. O movimento acontece poucos meses após Urgessa ganhar notoriedade internacional ao ser o protagonista do pavilhão inaugural da Etiópia na Bienal de Veneza de 2024. A parceria já tem frutos agendados: uma exposição individual em Hong Kong em setembro e a presença de uma de suas obras na feira Frieze Seoul.
O anúncio, reportado pela publicação ARTnews, é mais do que um marco na carreira do pintor. Ele representa a rápida conversão de prestígio institucional em validação comercial de primeira linha. A assinatura com uma galeria do porte da White Cube — com espaços em Londres, Nova York e Paris — sinaliza que o mercado de arte não apenas notou, mas está pronto para investir na trajetória de Urgessa, que divide seu tempo entre Adis Abeba, na Etiópia, e Nürtingen, na Alemanha.
Entre Adis Abeba e o mundo
O trabalho de Urgessa é marcado por pinturas figurativas em grande escala, que retratam corpos negros em espaços domésticos enigmáticos e poses de contida tensão. Suas telas, que podem ultrapassar os dois metros de largura, nascem de um processo físico, desenhadas no chão antes de o artista aplicar o óleo com um pincel longo. Essa abordagem reflete uma formação que começou observando seu pai reproduzir murais de igrejas etíopes e se formalizou na Alle School of Fine Art and Design, em Adis Abeba, e posteriormente na Alemanha, na Staatliche Akademie der Bildenden Künste, em Stuttgart.
É justamente essa fusão de referências que define sua linguagem. Como destacou Ikenna Malbert, diretor associado da White Cube, o artista “recorre habilmente a referências históricas da arte etíope e europeia para produzir um estilo pictórico totalmente singular”. Seus temas — migração, pertencimento, família e um mundo sociopolítico instável — ressoam globalmente, mas são filtrados por uma perspectiva única. A exposição em Veneza, intitulada “Prejudice and Belonging” (Preconceito e Pertencimento), foi descrita pela revista Artforum como apresentando “cenas de uma domesticidade perdida e ansiosa”.
Com a representação da White Cube, a obra de Urgessa, já presente em coleções como as do Brooklyn Museum e da Uffizi Galleries, ganha uma plataforma comercial robusta para expandir seu alcance. O movimento ilustra uma dinâmica cada vez mais comum no topo do mercado: a capacidade de identificar e capitalizar rapidamente sobre artistas que emergem em grandes eventos institucionais, transformando aclamação crítica em valor de mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





