Dois anos após a antiga entidade corporativa da TGI Fridays declarar proteção contra credores sob o Capítulo 11 da lei de falências dos EUA, a marca de casual dining se apresenta como uma história de renascimento. O CEO Ray Blanchette, que retornou à liderança em janeiro de 2025 após atuar como franqueado em tempo integral, afirmou em entrevista que a empresa está testemunhando uma "ressurgência da marca". Segundo Blanchette, o consumidor está redescobrindo o valor inerente ao modelo de restaurante casual. A estratégia atual da companhia é clara: focar no suporte e crescimento de seus franqueados, vistos como pilares essenciais para a recuperação. "O turnaround só funciona se nossos franqueados estiverem saudáveis, ponto final", declarou o CEO. "Não gastamos tempo algum pensando na falência de dois anos atrás. Isso nunca é discutido."
A ascensão, queda e reinvenção da TGI Fridays
A TGI Fridays, que começou como um bar para solteiros em Nova York nos anos 1960, expandiu-se globalmente, tornando-se conhecida por seus hambúrgueres, coquetéis e petiscos para compartilhar. No entanto, a presença da rede nos EUA encolheu ao longo da década de 2010, com o fechamento de mais de 200 unidades. Planos de abertura de capital em 2020 foram suspensos devido à pandemia de COVID-19, que desestabilizou a indústria de restaurantes. Em novembro de 2024, a TGI Fridays entrou com pedido de falência, enfrentando dívidas de US$ 37 milhões, segundo a Reuters, com planos de reestruturação e venda de ativos até janeiro de 2025. No início de 2025, a empresa vendeu ou fechou seus restaurantes próprios, e Ray Blanchette assumiu como CEO. A Sugarloaf Hospitality, de propriedade e operada por Blanchette, adquiriu os ativos remanescentes da marca, que hoje conta com cerca de 400 restaurantes mundialmente, sendo 70 deles operados por franqueados nos EUA.
Aposta nos franqueados para o renascimento global
Os novos objetivos da TGI Fridays estão alinhados ao desenvolvimento de franquias atuais e futuras. A expansão está prevista para o Peru, Maldivas, África Subsaariana e Balcãs, além de crescimento contínuo em mercados estabelecidos como Filipinas e Taiwan. Este plano ambicioso visa expandir a rede para mais de 1.000 restaurantes globalmente até 2030, gerando US$ 2 bilhões em receita anual. "Essas não são metas arbitrárias", afirmou Blanchette. "Uma visão deve ser aspiracional, mas também alcançável." Nos EUA, a empresa observa uma "completa ressurgência", com a assinatura do primeiro acordo de desenvolvimento doméstico em dez anos e vários outros em negociação final. O sucesso futuro da marca dependerá da capacidade de transformar esse momentum de franquias em um renascimento significativo para uma rede que já foi onipresente nos Estados Unidos.
Implicações e o futuro da marca
O foco renovado no modelo de franquias sugere uma estratégia de diluição de risco e alavancagem de capital local. Ao empoderar os franqueados, a TGI Fridays busca acelerar sua expansão global sem a necessidade de investimentos corporativos massivos. Essa abordagem pode ser particularmente eficaz em mercados emergentes, onde parceiros locais possuem melhor entendimento das dinâmicas de consumo e regulatórias. Para os franqueados, a promessa de suporte renovado e um plano de crescimento claro pode significar uma oportunidade de revitalizar unidades existentes e abrir novas. Contudo, a dependência de terceiros para a execução da estratégia também apresenta desafios, como a manutenção da consistência da marca e da qualidade do serviço em uma rede diversificada.
Perguntas em aberto
A questão central é se essa estratégia de "virar a página" da falência e apostar nos franqueados será suficiente para restaurar a TGI Fridays a seu antigo esplendor. A capacidade da marca de atrair novos consumidores e reconquistar a lealdade dos antigos dependerá não apenas do suporte aos franqueados, mas também da execução eficaz de melhorias na qualidade da comida e na experiência do cliente. O mercado de casual dining continua competitivo, e a TGI Fridays precisará demonstrar que sua proposta de valor ressoa com o público contemporâneo. O sucesso em mercados internacionais pode ser um indicativo, mas o renascimento nos EUA, onde a marca enfrentou seus maiores desafios, será o verdadeiro teste.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





