O TikTok pode ser a plataforma da “classe média” dos criadores de conteúdo, mas a elite ainda prefere o Instagram na hora de fechar grandes contratos. Uma nova pesquisa da plataforma de marketing de influência CreatorIQ, com cerca de 5 mil criadores, revela uma clara divisão no mercado: enquanto o TikTok lidera como a principal plataforma para posts patrocinados no geral (52%), o jogo vira completamente entre os que faturam acima de US$ 250 mil por ano. Nesse grupo, 60% apontam o Instagram como seu principal canal para parcerias com marcas, contra apenas 30% do TikTok.

A leitura é que existe uma segmentação funcional no ecossistema. O TikTok serve como uma poderosa porta de entrada, ideal para viralizar e construir uma audiência inicial. Contudo, à medida que a carreira se profissionaliza e os valores dos contratos aumentam, o centro de gravidade da monetização se desloca para o ecossistema da Meta, visto como mais estável e maduro pelos anunciantes.

O caminho do dinheiro

A preferência dos criadores mais bem-sucedidos pelo Instagram reflete onde as marcas se sentem mais confortáveis para investir orçamentos significativos. Segundo Tim Sovay, executivo da CreatorIQ, o Instagram é “onde as marcas estão gastando a maior parte do dinheiro na categoria”. A plataforma é percebida como um ambiente mais consistente e com menos turbulências de imagem, um porto seguro para investimentos de longo prazo em marketing de influência.

Essa dinâmica cria uma jornada de carreira quase padronizada. Criadores iniciantes, ou “nano” e “micro”, usam a força do algoritmo do TikTok para ganhar tração. Uma vez estabelecidos, migram ou expandem sua presença para o Instagram em busca de monetização mais robusta. Como resumiu um gestor de talentos ao Business Insider, o TikTok é ótimo para encontrar uma audiência, mas o Instagram é a plataforma que “tem sido consistente e não teve problemas”.

A estratégia da escala

Isso não significa que o TikTok esteja perdendo o jogo, mas sim que sua estratégia é focada em volume e na base da pirâmide. Ferramentas como o TikTok Shop, que permite afiliação com apenas mil seguidores, e o Spark Ads, que facilita o impulsionamento de posts de pequenos criadores pelas marcas, democratizam o acesso à receita. A aposta é na “cauda longa” da creator economy, tornando a monetização viável para um número muito maior de pessoas, ainda que com valores individuais menores.

Enquanto isso, o Instagram mantém sua força na construção de comunidades e na conversão, com agências relatando que os resultados de campanhas na plataforma são mensuráveis mais rapidamente. O YouTube, por sua vez, corre por fora, posicionado como o canal de maior valor a longo prazo, onde o conteúdo tem uma “vida útil” mais longa e a audiência é mais engajada.

A escolha de plataforma, portanto, deixa de ser binária e passa a ser estratégica, dependendo do estágio da carreira do criador. O TikTok oferece a vitrine e a escala; o Instagram, o balcão de negócios. A questão para os criadores não é qual plataforma é melhor, mas qual serve melhor a cada etapa de sua jornada profissional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider