A complexidade e a volatilidade das cadeias de suprimentos globais continuam a apresentar desafios significativos para as empresas. Um estudo recente, apresentado durante o 16º Congresso Aecoc Supply Chain, aponta a dificuldade em encontrar transporte e o aumento generalizado de custos como os riscos mais prementes. Segundo a pesquisa, 72% das companhias identificam a escassez de transporte como um obstáculo crítico para a estabilidade e o bom funcionamento de suas operações. Paralelamente, a inflação e o consequente aumento de custos foram citados por 70% dos participantes, evidenciando a pressão financeira sobre o setor.

Contexto de Instabilidade e Prioridades Empresariais

Em um cenário global marcado por incertezas, as empresas de logística e suprimentos estão redefinindo suas prioridades. A rentabilidade das operações surge como o foco principal para 68% delas, seguida de perto pela adoção de novas tecnologias e a digitalização (64%) e pela melhoria dos níveis de serviço (57%). Contudo, uma dissonância notável se manifesta: seis em cada dez empresas admitem não atingir suas metas de serviço, o que sugere uma dificuldade intrínseca em otimizar a eficiência sem comprometer a qualidade. Esse paradoxo sublinha a complexidade de gerenciar operações em um ambiente de recursos limitados e custos crescentes.

Mecanismos de Mitigação e Aumento de Custos

Diante desse quadro desafiador, a colaboração emerge como uma estratégia fundamental. Cerca de 70% das empresas consideram o fortalecimento da cooperação com fornecedores como a medida mais eficaz para mitigar riscos. Essa abordagem colaborativa se sobrepõe ao desenvolvimento de soluções de automação (51%) e à melhoria da visibilidade da cadeia de suprimentos (41%), indicando uma aposta na sinergia entre os parceiros. No que tange aos custos, o transporte lidera como o item de maior elevação, afetando 81% das empresas. Essa tendência contrasta com o ano anterior, quando pessoal e mão de obra eram os principais vilões dos custos.

Implicações Globais e Geopolíticas

O futuro próximo não parece oferecer alívio imediato. As empresas antecipam um cenário internacional incerto, com 80% prevendo um impacto significativo de conflitos bélicos em suas cadeias. Tensões em rotas marítimas estratégicas (52%) e barreiras comerciais (49%) também pesam na balança. Soma-se a isso o crescente absentismo laboral, que afeta três em cada quatro empresas, com jornadas perdidas aumentando consideravelmente desde 2018, especialmente em armazéns e transporte.

Tecnologia e o Futuro da Logística

A transformação tecnológica é vista como um caminho crucial para a resiliência. Investimentos em logística e operações visam aprimorar a capacidade de antecipação e resposta a disrupções. A inteligência artificial, em particular, ganha protagonismo, com 85% das empresas aplicando-a em previsões de demanda e automação de processos, embora seu uso ainda seja desigual. As prioridades estratégicas para os próximos anos incluem crescimento, digitalização e redução de custos, com a resiliência e gestão de riscos ocupando o quarto lugar. Regulamentações como o Regulamento Europeu de Embalagens e a Lei de Mobilidade Sustentável também moldarão o setor.

O cenário delineado pela pesquisa aponta para uma necessidade contínua de adaptação e inovação. A interconexão dos riscos — desde a escassez de transporte e o aumento de custos até as tensões geopolíticas e o absentismo — exige uma abordagem multifacetada, onde a colaboração e a tecnologia são ferramentas essenciais para navegar em um ambiente cada vez mais complexo e imprevisível.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España