Em um comício em Nebraska, Donald Trump evocou a possibilidade de um ataque iraniano a cidades americanas, mencionando especificamente Los Angeles e San Diego. As declarações, que sugerem que o Irã poderia "levar uma cidade" em referência a um conflito em andamento, foram feitas em um contexto de defesa das ações militares contra Teerã. Contudo, a retórica de Trump contrasta com a avaliação de especialistas em proliferação nuclear e agências de inteligência americanas.
Capacidades balísticas iranianas em xeque
A distância entre o Irã e a costa oeste dos Estados Unidos, aproximadamente 12.000 quilômetros, excede em muito o alcance dos mísseis balísticos de maior porte conhecidos do Irã. Segundo a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, esses mísseis possuem um alcance limitado a cerca de 2.000 quilômetros, focando em alvos regionais no Oriente Médio. Durante a "Operação Épica Fúria", o Irã demonstrou capacidade de atingir tropas americanas e infraestrutura na região com mísseis convencionais e drones, resultando em baixas e danos a instalações militares. No entanto, esses sistemas não são de natureza nuclear e não representam uma ameaça intercontinental.
O status nuclear do Irã
Observadores de proliferação nuclear, como Kelsey Davenport, diretora de política de não proliferação da Arms Control Association, afirmam que o Irã não possui um programa nuclear ativo para a construção de armas. Embora Teerã seja considerada um risco de proliferação, não há indícios de uma ameaça nuclear iminente. Os Estados Unidos realizaram ataques a instalações de enriquecimento de urânio iranianas, impactando o avanço do programa. No entanto, mesmo que o conhecimento técnico para a construção de uma bomba nuclear permaneça, a capacidade de produção e entrega a longas distâncias, especialmente para os EUA, é inexistente no momento.
Escalada e dissuasão nuclear
A menção de Trump a um ataque nuclear levanta o espectro da escalada e da dissuasão, um princípio que tem evitado o uso de armas nucleares desde a Segunda Guerra Mundial. A doutrina da Destruição Mútua Assegurada (MAD) sugere que qualquer uso de armas nucleares resultaria em retaliação nuclear, um cenário que os estados buscam evitar. Países como Israel, os EUA e a Rússia, que possuem arsenais nucleares, optaram por ataques convencionais em conflitos, demonstrando que a superioridade militar não depende exclusivamente da ameaça nuclear.
Ameaças assimétricas e o futuro
Além das capacidades balísticas e nucleares, o Irã tem empregado ferramentas assimétricas, como ataques cibernéticos, contra adversários. Grupos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica já reivindicaram responsabilidade por ataques a sistemas de infraestrutura crítica nos EUA. A complexidade do cenário geopolítico sugere que, independentemente do desfecho do conflito e do status do programa nuclear iraniano, as tensões e as táticas de confronto provavelmente persistirão, exigindo vigilância contínua das capacidades iranianas e de suas intenções estratégicas. A retórica política, embora possa inflamar tensões, deve ser avaliada à luz das capacidades militares e tecnológicas concretas dos atores envolvidos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





