A firma portuguesa de engenharia Quadrante foi incorporada ao consórcio responsável pela construção do túnel Santos-Guarujá, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do país. O projeto, avaliado em € 1,15 bilhão (aproximadamente R$ 6,5 bilhões), será tocado pela Concessionária TSG, que tem o grupo Mota-Engil como um de seus principais acionistas.
Estruturada como uma parceria público-privada (PPP) entre o governo federal e o estado de São Paulo, a obra representa um marco tecnológico para o Brasil. A Quadrante fornecerá apoio técnico durante todo o ciclo do projeto, desde a revisão do desenho executivo até a supervisão da construção, sinalizando a complexidade e a necessidade de expertise internacional para a empreitada.
A primeira estrutura imersa do Brasil
O túnel Santos-Guarujá será o primeiro do tipo "imerso" no país. A tecnologia consiste na fabricação de grandes módulos de concreto em terra, que são então transportados e imersos no leito do Estuário de Santos para formar a estrutura subaquática. A solução foi escolhida para ligar os 850 mil habitantes dos dois municípios, com um impacto estimado na mobilidade de dois milhões de pessoas em toda a Baixada Santista.
A infraestrutura terá 900 metros de extensão e contará com seis pistas de rolamento, ciclovia, passagem para pedestres e um corredor central reservado para um futuro veículo leve sobre trilhos (VLT). Segundo a reportagem da Forbes España, o contrato da PPP foi assinado este ano, com previsão de início das obras em 2027 e conclusão em 2030, para inauguração em 2031.
Um novo vetor logístico
A participação da Quadrante abrangerá da gestão de interfaces e planejamento ao controle de qualidade e uso de BIM (Building Information Modeling). O escopo de sua atuação evidencia a escala do desafio. Atualmente, a conexão entre as duas cidades é feita por um serviço de balsas que transporta cerca de 14 mil veículos por dia, um dos maiores volumes do mundo para uma rota do tipo.
Com o túnel, o tempo de travessia será reduzido para menos de cinco minutos. O impacto vai além da qualidade de vida dos residentes, afetando diretamente a logística do maior porto da América Latina. A obra promete otimizar o fluxo de cargas e pessoas em uma região de importância estratégica vital para a economia brasileira.
Para a Quadrante, o projeto não apenas reforça sua presença na América Latina, mas também serve como vitrine para sua capacidade de execução em projetos de alta complexidade. A escolha de uma firma especializada em engenharia pesada demonstra a ambição e a seriedade com que os governos e o consórcio privado estão tratando a execução do túnel, uma promessa de décadas que agora parece mais perto de se tornar realidade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





