O turismo europeu com destino aos Estados Unidos ainda não retornou aos patamares observados antes da pandemia de Covid-19. Segundo dados da U.S. International Trade Administration, o volume de visitantes provenientes de 38 países europeus em 2025 ficou cerca de 1,8 milhão abaixo do registrado em 2019, evidenciando uma mudança estrutural no comportamento de viagens de longa distância.

Embora o declínio seja generalizado em economias tradicionais, a tendência não é uniforme em todo o continente. Enquanto nações da Europa Ocidental e Nórdica apresentam quedas expressivas, países do Leste Europeu, como Polônia e Albânia, registraram aumentos significativos no fluxo de viajantes para o mercado americano, sugerindo uma reconfiguração do mapa de origem dos turistas.

O declínio dos mercados tradicionais

As quedas mais acentuadas em termos percentuais concentram-se no Norte da Europa. Países como Dinamarca, com redução de 43%, Noruega (-41%) e Suécia (-37%) lideram o recuo. No entanto, o impacto absoluto é mais sentido nos mercados de maior volume. O Reino Unido, principal emissor, registrou uma queda de 15%, enquanto Alemanha e França apresentaram retração de 14% cada.

Essa contração reflete uma mudança de preferência nas escolhas de lazer. Operadoras de turismo, incluindo o grupo TUI, indicam que a demanda por viagens aos EUA perdeu força frente a destinos na Ásia, nos Emirados Árabes e no Caribe, que oferecem alternativas competitivas e, em muitos casos, custos operacionais mais atrativos para o consumidor europeu.

Fatores de atrito e políticas de entrada

A percepção sobre a experiência de entrada nos Estados Unidos tornou-se um vetor de decisão relevante. Relatos de turistas detidos ou que enfrentaram complicações imigratórias ganharam destaque na imprensa europeia, levando alguns governos a atualizar recomendações de viagem. Esse cenário cria uma barreira psicológica que, somada a tensões geopolíticas e debates sobre políticas migratórias, afasta o perfil de turista que busca destinos de menor atrito.

Além disso, o custo das viagens de longa distância atua como um desincentivo. Em um ambiente macroeconômico onde a inflação e a volatilidade cambial pesam no orçamento das famílias, a escolha por destinos mais próximos ou com melhor custo-benefício torna-se uma estratégia de gestão financeira pessoal, impactando diretamente o setor de hospitalidade americano.

Implicações para o setor de turismo

A redução no fluxo internacional traz consequências econômicas diretas para regiões americanas dependentes do turismo. Com um volume total de visitantes estrangeiros caindo de 72 milhões em 2024 para 68 milhões em 2025, a queda nos gastos desses viajantes pressiona a economia local. O fenômeno não é exclusivo da Europa; o Canadá também enfrenta declínios acentuados, impulsionados por tensões comerciais e pressões cambiais.

Para o ecossistema de turismo global, o movimento sugere que a recuperação pós-pandemia não é apenas uma questão de retomada de capacidade, mas de adaptação a um novo cenário de preferências. A concorrência por esse viajante europeu tornou-se mais acirrada, com destinos emergentes capturando fatias de mercado que antes eram consolidadas pelos Estados Unidos.

Perspectivas de longo prazo

A grande questão que permanece é se este declínio representa uma mudança cíclica ou uma alteração estrutural permanente. A resiliência de mercados como a Itália, que registrou alta de 9% mesmo em meio à tendência negativa, indica que nichos específicos de atração ainda mantêm sua relevância, mas a dependência de grandes mercados emissores tradicionais mostra sinais de fadiga.

O mercado de turismo precisará monitorar se as políticas de entrada e o ambiente geopolítico continuarão a ditar o fluxo nos próximos anos. A capacidade dos EUA de reverter essa narrativa e atrair novamente o turista europeu dependerá tanto de fatores macroeconômicos quanto da percepção pública sobre a facilidade de acesso ao país.

O cenário de 2025 reforça que o setor de viagens está em constante transição. O redirecionamento dos fluxos europeus não apenas altera as receitas de destinos americanos, mas redesenha as rotas do turismo global para a próxima década.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Visual Capitalist