A Uber Freight, divisão de logística e transporte de cargas da Uber, confirmou estar investigando um "incidente de segurança de dados" após o grupo de extorsão Helix anunciar a empresa em seu site de vazamentos no dia 6 de agosto. Segundo reportagem do The Register, os hackers alegam ter roubado quase um milhão de arquivos de diversas áreas da companhia.
Em resposta, a Uber Freight afirmou que o incidente foi identificado, contido e remediado, sem qualquer impacto nas operações diárias, que "continuam normalmente, sem interrupção". A tensão entre a alegação do roubo massivo e a tranquilidade operacional da empresa coloca em foco a nova fronteira de risco na logística digital.
A anatomia do ataque
O incidente vai além de um simples ataque de ransomware. Segundo o Grupo de Inteligência de Ameaças do Google (GTIG), o Helix faz parte de um cluster de atividade criminosa, rastreado como UNC6671, que evoluiu suas táticas. Em vez de força bruta, os operadores usam engenharia social sofisticada, como o vishing — telefonemas em que se passam por equipes de TI para convencer funcionários a aprovar acessos.
Com as credenciais obtidas, o alvo são os serviços em nuvem, como Microsoft 365 e plataformas de identidade como a Okta, de onde os dados são extraídos. A estratégia evidencia um movimento deliberado desses grupos em direção a setores de alto valor, como transporte e logística, que se tornaram críticos e altamente digitalizados. A fragmentação de grupos maiores, como o BlackFile, em marcas menores como Helix, pode ser uma tática para otimizar ataques e dificultar o rastreamento.
A resposta da Uber Freight de que seus sistemas estão "seguros e totalmente operacionais" pode ser factualmente correta no curto prazo. Contudo, o episódio serve como um alerta contundente para todo o ecossistema de logística, inclusive no Brasil. À medida que a digitalização avança sobre caminhões, portos e armazéns, a superfície de ataque se expande, exigindo uma postura de segurança que vá além da proteção de perímetro e entenda as novas táticas de infiltração.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





