O UBS BB mantém uma visão otimista para as ações da Petrobras (PETR4), reforçando sua recomendação de compra. Analistas da instituição financeira consideram que a companhia brasileira está entre as mais bem posicionadas, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, para se beneficiar de um ambiente de preços de petróleo elevados. A tese do banco se sustenta em três pilares principais: a Petrobras é uma exportadora líquida, sua produção está à frente do plano e o conflito no Oriente Médio tem tido impacto operacional limitado na empresa.

Petrobras em Destaque Global

Esses fatores, combinados com uma política clara de dividendos trimestrais atrelada ao fluxo de caixa, projetam um dividend yield atraente. O UBS BB estima um retorno de 10% a 11% para 2026, que pode crescer para 13% a 14% em 2027, mesmo após a valorização já observada nas ações. Essa perspectiva levou o banco a aumentar o preço-alvo para PETR4 de R$ 60 para R$ 62 nos próximos 12 meses, implicando um potencial de valorização de 28%. Para os ADRs negociados em Nova York, o preço-alvo subiu de US$ 22 para US$ 23.

Perspectiva Macroeconômica e Preços do Petróleo

Na visão do UBS BB, a manutenção de preços elevados do petróleo é um fator crucial. Cada variação de US$ 1 no barril de Brent representa um impacto de cerca de 0,2 ponto percentual no dividend yield anual da Petrobras. O banco projeta o Brent a US$ 85 no terceiro trimestre de 2026 e US$ 80 no quarto trimestre, com uma estimativa de US$ 75 para 2027. Para os combustíveis, a projeção considera a manutenção de subsídios, com preços líquidos para gasolina e diesel dentro de faixas específicas para o segundo semestre de 2026. O diferencial do diesel é previsto para se normalizar a partir de 2028.

Produção e Capex: Fatores Microeconômicos

A produção da Petrobras tem superado as expectativas, com números em agosto que levaram a produção acumulada no ano a níveis superiores aos projetados pelo guidance da estatal. O UBS BB espera que essa tendência se mantenha em 2027. No entanto, o banco aponta que o negócio de refino ainda apresenta espaço para melhorias, pois a Petrobras foi a única entre seus pares globais a registrar queda sequencial no Ebitda por barril no segundo trimestre. Quanto ao Capex, a administração da Petrobras tem sinalizado um aumento nos desembolsos, aproveitando o fluxo de caixa gerado pela alta produção e preços. Um Capex significativamente maior que o esperado é identificado como um dos principais riscos para a perspectiva positiva do banco.

Implicações para o Investidor

A análise do UBS BB sugere que a Petrobras se consolida como uma opção atrativa para investidores que buscam exposição ao mercado de petróleo e dividendos. A combinação de uma política de remuneração ao acionista clara e a capacidade de capturar valor em um cenário de preços elevados a diferencia de outras gigantes do setor. Contudo, a gestão do negócio de refino e a execução do plano de Capex serão pontos de atenção para a manutenção dessa tese.

O cenário para a Petrobras, sob a ótica do UBS BB, é de otimismo cauteloso, com foco na capacidade da empresa de traduzir a alta do petróleo em retornos concretos para seus acionistas através de dividendos robustos, mitigando riscos operacionais e de investimento. A companhia se posiciona como um pilar de valor em meio à volatilidade do setor energético global.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados