A Ucrânia, em meio a uma ofensiva territorial contra as forças russas, realizou dois assaltos mecanizados bem-sucedidos atrás das linhas inimigas, em uma demonstração de que o uso de tanques e veículos blindados ainda é viável em um campo de batalha dominado por drones, minas e artilharia. A Operação Vivaldi, conduzida pelo Terceiro Corpo de Exército ucraniano, recuperou 277 quilômetros quadrados de território, segundo o comandante da unidade, General de Brigada Andrii Biletskyi. Esses avanços, embora com ganhos territoriais limitados, são considerados por analistas como um marco significativo, provando que manobras mecanizadas em nível tático são possíveis em um ambiente saturado por drones. Biletskyi admitiu ceticismo inicial sobre a viabilidade da operação, mas a decisão de prosseguir com os assaltos blindados exigiu uma preparação meticulosa e a coordenação de um vasto leque de recursos. "Hoje, o uso de veículos blindados é efetivamente uma operação especial. Requer um planejamento extremamente detalhado e a coordenação de um número enorme de ativos", declarou Biletskyi ao veículo de notícias militar ucraniano Militarnyi.
O Tanque Renascido, Mas Transformado
O desempenho dos tanques e outros veículos blindados na guerra da Ucrânia tem sido um ponto de debate constante, com muitos observadores questionando seu papel na guerra moderna. A dependência de drones, que podem identificar e atacar blindados com precisão, além da proliferação de minas terrestres e artilharia de longo alcance, levou ambos os lados a evitar grandes formações mecanizadas. Contudo, a Operação Vivaldi sugere que o tanque não está obsoleto, mas sim que os pré-requisitos para seu uso eficaz se tornaram mais complexos. Segundo George Barros, diretor de inovação do Institute for the Study of War (ISW), o sucesso da Vivaldi "prova decisivamente que é possível alcançar manobras mecanizadas no nível tático em um campo de batalha dominado por drones". A missão exigiu treinamento separado para tripulações de veículos e infantaria, a instalação de equipamentos adicionais nos blindados e um suporte robusto para proteger o avanço, incluindo guerra eletrônica, blindagem extra e drones de apoio.
Mecanismos de Sucesso e Desafios Futuros
O sucesso da Operação Vivaldi reside na sua abordagem multifacetada para mitigar os riscos inerentes a um campo de batalha moderno. A prioridade foi neutralizar a ameaça dos drones russos, que podem ser devastadores para colunas de blindados. Isso foi alcançado através de uma combinação de guerra eletrônica, drones próprios para vigilância e ataque, e a implantação de infantaria para localizar e destruir operadores de drones inimigos. A degradação da capacidade de inteligência e operação de drones da Rússia abriu caminho para o avanço tático. Biletskyi enfatizou a importância de "moldar o campo de batalha" enfraquecendo o inimigo previamente, utilizando artilharia, drones e robôs. A capacidade de avançar mais profundamente atrás das linhas inimigas, como visto na Vivaldi, é um indicativo de que as forças ucranianas aprimoraram suas táticas ao longo do ano, tornando-se mais eficazes na supressão das defesas aéreas russas e na exploração de vantagens emergentes em drones.
Implicações para a Guerra e o Ecossistema de Defesa
A capacidade de replicar o sucesso da Operação Vivaldi em outras unidades do exército ucraniano é o próximo grande desafio. O Terceiro Corpo de Exército é uma unidade de elite, bem treinada e equipada, o que pode não ser o caso para todas as formações. No entanto, se as lições aprendidas forem disseminadas, o exército ucraniano poderá se tornar significativamente mais capaz de repelir as forças russas, que, segundo Barros, ainda podem estar anos atrás em termos de manobras táticas. A guerra na Ucrânia tem impulsionado inovações em todo o ecossistema de defesa. Parceiros ocidentais, que continuam a investir em tanques, agora preveem uma mudança na forma como esses veículos são apoiados e empregados. A combinação de plataformas legadas com sistemas de alta tecnologia, como drones, robótica e sensores avançados, é vista como a chave para aumentar a letalidade e a proteção das tropas, como destacou o Comandante Supremo Aliado da OTAN na Europa, General Alexus Grynkewich.
Perguntas em Aberto e o Caminho Adiante
Embora a Operação Vivaldi tenha sido um sucesso notável, a questão crucial permanece: quão escalável é essa abordagem? A necessidade de planejamento extensivo, recursos dedicados e coordenação complexa pode limitar a aplicação generalizada dessas táticas. A capacidade de outras unidades ucranianas de replicar o treinamento e a integração de ativos observados no Terceiro Corpo de Exército será fundamental para determinar o impacto a longo prazo dessas táticas. Além disso, a resposta russa a essas novas táticas blindadas também será um fator determinante. A evolução contínua da guerra eletrônica e o desenvolvimento de contramedidas contra drones podem alterar o equilíbrio de poder, exigindo novas adaptações.
A guerra na Ucrânia continua a ser um laboratório vivo para o futuro do combate mecanizado, demonstrando que, com a estratégia e o suporte corretos, o tanque ainda tem um papel a desempenhar, embora as regras de engajamento tenham mudado dramaticamente. A capacidade de adaptação e inovação tática, como visto na Operação Vivaldi, será um diferencial decisivo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider




