A curadora brasileira Vivian Zavataro foi nomeada a nova diretora executiva do Riverside Art Museum (RAM), na Califórnia. Ela assume o posto em 1º de outubro e também supervisionará a direção artística do Cheech Marin Center for Chicano Arts and Culture, uma instituição de relevância internacional vinculada ao museu.

A nomeação, reportada pelo portal ARTnews, é mais do que uma troca de comando. O perfil de Zavataro — uma acadêmica com doutorado em andamento sobre engajamento de audiências e curadora com foco em temas identitários — sinaliza uma escolha deliberada por um novo arquétipo de liderança para instituições culturais, que busca equilibrar relevância artística com conexão comunitária.

A gestão como curadoria

Zavataro não chega ao cargo como uma administradora tradicional. Com mestrados em estudos de museus pela Universidade de Amsterdã e em curadoria pela Universidade de Artes de Zurique, seu percurso é o de uma intelectual do setor. Atualmente diretora do Ulrich Museum of Art na Wichita State University, ela tem uma tese de doutorado em andamento na Universidade de Reading, na Inglaterra, focada especificamente em como os museus se engajam com seu público.

Esse background parece talhado para os desafios do Cheech Center, cujo acervo, formado pela coleção do ator Cheech Marin, é um pilar da arte chicana. A decisão de manter o modelo de curadores convidados para exposições temporárias, sob sua supervisão, sugere uma abordagem colaborativa. A leitura é que a própria gestão do museu será tratada como um ato curatorial: um exercício de mediação entre a obra, o artista e a comunidade que a instituição serve.

O desafio da relevância

Museus em todo o mundo enfrentam a pressão por legitimidade para além dos círculos de elite. A nomeação de Zavataro é uma resposta direta a essa questão. Em sua declaração, ela afirma que seu objetivo é garantir que os programas "reflitam e celebrem as pessoas a quem servem". Seu histórico curatorial, com exposições de artistas como Guillermo Gómez-Peña e Justin Favela, que exploram fronteiras e migração, reforça essa vocação.

Sua experiência prévia na direção de museus universitários no Kansas e em Nevada a posiciona como uma líder capaz de navegar em ecossistemas complexos, onde o rigor acadêmico precisa dialogar com um público amplo e diverso. O desafio será escalar essa visão para uma instituição com o peso cultural e a visibilidade do RAM e do Cheech Center.

A escolha por Zavataro é um movimento estratégico. Sua gestão no Riverside Art Museum servirá como um laboratório para um modelo de liderança que parece cada vez mais urgente: menos focado no glamour do circuito e mais na construção de relevância cultural a partir do zero, em diálogo direto com a sociedade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews