A concessão da rodovia AP-68 na Espanha, que liga Zaragoza a Bilbao, está programada para expirar em novembro de 2026, após quase 50 anos de operação sob pedágio. A gestão, a cargo da Avasa, uma subsidiária da Abertis, foi estendida uma última vez em 2000 pelo governo espanhol.
O que deveria ser um marco de transição para a gratuidade, no entanto, está se tornando um estudo de caso sobre fragmentação política e regulação de infraestrutura. Segundo reportagem do site Xataka, a estrada não será simplesmente livre de cobrança, mas terá seu futuro decidido por cada comunidade autônoma que atravessa, criando um cenário complexo para motoristas e transportadoras.
Um mosaico de regras
A decisão sobre o futuro da AP-68 não foi centralizada. Em Aragão e La Rioja, as cancelas de fato serão levantadas para todos os veículos. Já em Navarra, a gratuidade será parcial: carros passarão sem custo, mas o governo local pretende manter a cobrança para veículos pesados, uma medida que associações de caminhoneiros já classificam como discriminatória.
No País Basco, a lógica é outra. As províncias de Álava e Vizcaya manterão os pedágios, ainda que com novas regras e a implementação de um sistema "free flow", sem barreiras físicas e com cobrança automática por leitura de placa. A tecnologia moderniza a cobrança, mas não elimina o custo para o usuário, que precisará se registrar previamente para evitar multas.
O preço da descentralização
Conhecida como a autoestrada mais cara da Espanha, a AP-68 terá descontos, mas desiguais. Enquanto em Álava a redução no preço por quilômetro chegará a 70%, em Vizcaya o alívio será de apenas 20%. A justificativa para a manutenção da cobrança é o custo de manutenção da via, que agora recairá sobre os governos regionais.
A principal mudança para os motoristas frequentes virá dos tetos de gastos mensais, que serão unificados e reduzidos. O valor máximo que um motorista pode gastar, que antes superava 194 euros, cairá para 88 euros ao passar por múltiplas províncias a partir de 2027. É uma simplificação que, no entanto, mantém a complexidade de um sistema onde cada trecho tem sua própria lógica de preço.
O fim da concessão da AP-68 se revela menos um ponto final e mais uma vírgula. O caso espanhol expõe a tensão entre gestão descentralizada e a necessidade de uma experiência coesa para o usuário em uma infraestrutura nacional. Para países como o Brasil, com sua vasta malha de rodovias concedidas, o imbróglio da AP-68 serve como um alerta sobre os desafios que aguardam no fim dos contratos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





