A pergunta “quem é o maior contista de todos os tempos?” costuma ser território da crítica literária e do debate subjetivo. O escritor Dan Sinykin, no entanto, decidiu abordá-la com o rigor dos dados. Em um projeto ambicioso detalhado em seu Substack, ele compilou um banco de dados com mais de 264 mil contos, de 57 mil autores, publicados em 191 revistas ao longo de décadas. A surpresa veio na análise preliminar dos números.
A Máquina Literária
Para construir seu vasto arquivo, Sinykin utilizou o modelo de linguagem Claude para extrair e organizar informações de publicações que vão do cânone literário, como Granta e The Kenyon Review, a revistas de grande circulação, como Cosmopolitan e The Saturday Evening Post. O resultado não mede “qualidade”, um critério elusivo, mas sim a presença e a frequência de publicação — um proxy para a influência e a penetração de um autor no ecossistema editorial.
E, nesse quesito, a autora americana Joyce Carol Oates “destrói a concorrência”, nas palavras do próprio Sinykin, superando nomes como a Nobel Alice Munro e John Updike. A prolífica Oates, com mais de uma centena de livros publicados, emerge como uma força quantitativa inegável, uma presença constante nas páginas que formaram o gosto literário por gerações.
Sinykin admite que há uma “enorme ressalva” em sua análise, ainda em andamento. O projeto, contudo, é menos sobre encerrar um debate e mais sobre abri-lo por um novo ângulo. Ao aplicar a análise de dados à literatura, ele não oferece uma resposta definitiva sobre “o maior”, mas sim um mapa fascinante sobre quem, de fato, ocupou o espaço editorial. A questão que fica é o que mais esses dados podem revelar sobre a construção do gosto e do cânone na era da informação.
Com reportagem de Brazil Valley
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