Foram necessários apenas três minutos. Na calada da noite de 22 de março, dois homens romperam uma janela da Fondazione Magnani Rocca, a “Vila das Obras-Primas” perto de Parma, e desapareceram com um pedaço da história da arte. Na parede, ficaram os espaços vazios onde antes repousavam uma natureza-morta de Cézanne, peixes pintados por Renoir e, a mais valiosa, uma odalisca de Matisse.
A fuga, no entanto, durou pouco mais de cinco meses. Na última sexta-feira, a Unidade de Proteção ao Patrimônio Cultural dos Carabinieri, a polícia nacional italiana, anunciou o desfecho da caçada. As três obras, avaliadas em mais de US$ 10,4 milhões, foram encontradas em um apartamento na própria cidade de Parma. O resgate, fruto de uma investigação que agora mira nove cidadãos moldavos, é uma vitória tática, mas também um sintoma de uma batalha perene.
Cada roubo de arte de grande porte levanta a mesma questão incômoda: para onde vão essas obras? Diferente do que o cinema sugere, não é simples vender um Renoir ou um Matisse no mercado aberto. A notoriedade que lhes confere valor também os torna "quentes" demais. A hipótese mais provável é que alimentem um mercado subterrâneo, onde servem como moeda de troca entre organizações criminosas ou aguardam, por anos, um comprador inescrupuloso e discreto.
A Odalisque on the Terrace de Matisse, a mais cobiçada do trio, voltou. Mas o episódio na vila de Luigi Magnani é um lembrete da vulnerabilidade. Obras que sobreviveram a guerras e à passagem de um século podem desaparecer em 180 segundos. A recuperação celebra a eficiência da polícia, mas deixa no ar uma inquietação: quantas outras obras-primas, em coleções públicas e privadas, dormem a um vidro quebrado de distância do mesmo destino?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





