A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impôs uma rara e significativa sanção a uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo. A fabricação de produtos de limpeza na planta da Unilever em Vinhedo, São Paulo, foi suspensa preventivamente. Em uma ação separada, a agência também proibiu a comercialização da água mineral Vitoriosa após detectar contaminação.

As duas decisões, embora distintas, servem como um lembrete contundente sobre a tensão permanente entre a escala industrial e o rigor regulatório. Segundo reportagem do Money Times, a ação contra a Unilever não foi motivada por um produto contaminado no mercado, mas por falhas processuais. Já no caso da água mineral, o risco ao consumidor foi direto. O ponto central é a atuação da agência como guardiã da saúde pública, colocando em xeque as operações de empresas de portes radicalmente diferentes.

O gigante sob a lupa

A suspensão na fábrica da Unilever decorre de uma inspeção que identificou “falhas nos controles realizados durante a fabricação”, “deficiências no monitoramento da água” e “fragilidades na investigação” de problemas internos. Em outras palavras, a Anvisa não encontrou um lote defeituoso, mas sim um sistema de controle de qualidade que não atendia às Boas Práticas de Fabricação (BPF).

Para uma corporação do calibre da Unilever, que investe pesadamente em reputação e processos, a intervenção regulatória é um golpe simbólico. A medida é preventiva e visa garantir que os próximos lotes sejam seguros. A empresa afirmou que já iniciou as correções. A leitura, contudo, é que mesmo os gigantes da indústria não estão imunes a deslizes operacionais que exigem a intervenção do Estado.

Da prevenção ao risco real

O caso da água mineral Vitoriosa, produzida pela GEPF Agroindústria, ilustra o outro extremo da atuação regulatória. Aqui, a ação não foi sobre o processo, mas sobre o produto final. Um laudo laboratorial detectou a presença de coliformes totais, um indicador de condições sanitárias inadequadas. A interdição da comercialização foi imediata e cautelar.

A presença de coliformes não significa necessariamente um risco agudo, mas é uma linha vermelha para produtos de consumo direto como água engarrafada. Juntas, as ações da Anvisa demonstram a amplitude de seu mandato: de ajustar preventivamente os processos de uma multinacional a retirar do mercado um produto com risco sanitário concreto. O recado é claro: o selo de qualidade não é perpétuo e a vigilância é constante.

Fica a questão sobre a robustez dos controles internos das companhias. A intervenção da Anvisa na Unilever foi um tiro de advertência antes que um problema maior ocorresse. No caso da Vitoriosa, o sistema falhou em algum ponto da cadeia. A fiscalização funciona como uma rede de segurança, mas a responsabilidade primária de garantir a qualidade permanece, intransferivelmente, com o fabricante.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times