A Universal Pictures superou a Disney como produtora do filme mais caro da história do cinema, segundo análise de documentos financeiros recentes. O longa Jurassic World: Dominion, lançado em 2022, consumiu US$ 658,8 milhões em custos de produção. O valor ultrapassa o recorde anterior, estabelecido pela Disney com o reboot de Star Wars: O Despertar da Força, em 2015, que custou US$ 638,9 milhões.
A produção de Dominion ocorreu no auge da pandemia, em 2020, o que forçou o estúdio a adotar protocolos de segurança rigorosos e lidar com atrasos que empurraram a estreia em um ano. A necessidade de manter a estrutura de filmagem, incluindo aluguel de equipamentos e pagamento de equipes paradas, elevou drasticamente o orçamento total do projeto.
O impacto dos incentivos britânicos
A produção de blockbusters no Reino Unido tornou-se uma estratégia central para estúdios de Hollywood, impulsionada pelo Audio-Visual Expenditure Credit (AVEC). Este benefício governamental oferece um reembolso em dinheiro de até 25,5% dos gastos realizados no país, desde que a produção atenda a critérios rígidos, como a utilização de talentos locais e locações britânicas.
Para acessar esses recursos, os estúdios criam subsidiárias específicas, como a Arcadia Pictures, utilizada pela Universal para Dominion. Esses veículos financeiros são obrigados a registrar balanços detalhados, que acabam servindo como uma janela rara para o público entender os custos reais de Hollywood, um setor que tradicionalmente mantém seus orçamentos sob sigilo estrito nos Estados Unidos.
Dinâmicas de custo e receita
O custo de US$ 658,8 milhões foi parcialmente mitigado pelo reembolso de US$ 127,8 milhões recebido do governo britânico, reduzindo o desembolso líquido da Universal para US$ 531 milhões. Embora a bilheteria global de US$ 1 bilhão traga um retorno de 50% ao estúdio, a rentabilidade de projetos dessa magnitude depende fortemente de receitas secundárias, como streaming, licenciamento e venda de produtos.
O modelo de incentivos do Reino Unido tem transformado o país em um hub global para a indústria. Dados do British Film Institute mostram que o investimento em produção de filmes no país atingiu um recorde de US$ 3,8 bilhões no ano passado, suprindo a lacuna deixada pela recuperação lenta das bilheterias globais, que ainda operam abaixo dos níveis pré-pandêmicos.
Tensões regulatórias e o futuro do setor
O cenário de produção internacional enfrenta incertezas políticas. Declarações recentes sobre a imposição de tarifas de 100% para filmes produzidos fora dos Estados Unidos sugerem uma possível pressão para o retorno das produções ao solo americano. Se tal política for implementada, o modelo de financiamento baseado em incentivos externos poderia ser inviabilizado, alterando a economia de futuros blockbusters.
Para o mercado, a questão central é se o custo de produção de filmes continuará em trajetória ascendente ou se a pressão por margens forçará uma racionalização. A dependência de subsídios estrangeiros criou uma estrutura de negócios onde a localização geográfica da filmagem é decidida tanto por logística quanto por engenharia financeira.
Desafios para a indústria
O ranking de orçamentos permanece como um indicador de risco e ambição. Com a sequência de Jurassic World em desenvolvimento, a Universal precisará equilibrar os custos crescentes de produção com a volatilidade do consumo nas salas de cinema. A disputa pela supremacia financeira entre os grandes estúdios continua, mas o custo de manter o título de "mais caro" pode se tornar insustentável.
O mercado observa agora como as políticas comerciais americanas podem moldar o futuro das grandes produções. A estratégia de filmar no Reino Unido provou ser um pilar de lucratividade, mas a estabilidade dessa vantagem competitiva é, por natureza, suscetível a mudanças nas prioridades governamentais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





