O Banco Safra reduziu seu preço-alvo para as ações da Usiminas (USIM5) de R$ 9,20 para R$ 8,30, mas manteve a recomendação neutra. A decisão ocorre após uma valorização expressiva do papel, que subiu cerca de 26% desde meados de agosto, movimento que, na visão do banco, não encontra paralelo nos fundamentos da companhia.
A tese do analista Ricardo Monegaglia, que assina o relatório, é que a ação da siderúrgica tem sido negociada com base em ruídos de mercado — como um potencial fechamento de capital — e pela tração do Ibovespa, e não pela realidade operacional do setor. Na prática, o mercado parece ter se antecipado a uma melhora que ainda não se materializou nos resultados.
Fundamentos sob pressão
O cerne da cautela do Safra está na equação de custos e preços. A análise aponta que, enquanto os preços do aço seguem pressionados, matérias-primas cruciais como o carvão metalúrgico e o frete marítimo continuam em patamares elevados, comprimindo as margens da Usiminas. Não houve, segundo o banco, revisões positivas de resultados que justificassem a reprecificação da ação.
Essa visão mais conservadora coloca as projeções do Safra para a geração de caixa (Ebitda) da Usiminas em 2027 cerca de 17% abaixo do consenso de mercado. O banco alerta que, em um cenário onde os custos permaneçam altos por mais tempo, essa diferença poderia se aprofundar para 26%, sinalizando que parte dos investidores pode estar com um otimismo exagerado.
A barganha com as montadoras
Outro ponto de vulnerabilidade reside em um dos principais mercados da Usiminas: o setor automotivo. A renegociação de contratos com as montadoras, prevista para o início do próximo ano, ocorre em um momento delicado. O Safra trabalha com a expectativa de um reajuste de preços de aproximadamente 5%, um número modesto diante das pressões de custo.
O poder de barganha da siderúrgica está limitado pelo avanço de veículos importados, especialmente da China, e pelos elevados estoques nos pátios das montadoras brasileiras. Mudanças recentes na política tarifária para importação de veículos adicionam uma camada de incerteza sobre a demanda futura por aço nacional, tornando o cenário ainda mais complexo.
Apesar do quadro adverso, o Safra não chega a recomendar a venda do papel. A instituição pondera que parte das pressões de custo já começa a se normalizar e não descarta a possibilidade de novas medidas de proteção à indústria siderúrgica nacional. Ainda assim, a mensagem é clara: a recuperação dos resultados permanece incerta, e o retorno esperado, por ora, não justifica uma aposta mais convicta na ação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





