A taxa de vacância dos escritórios corporativos de alto padrão no Rio de Janeiro registrou uma queda significativa, atingindo 24% no terceiro trimestre de 2026. Este patamar representa o menor nível observado desde 2014, indicando uma recuperação robusta no mercado imobiliário corporativo carioca. Segundo levantamento da consultoria Binswanger Brazil, o indicador diminuiu 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, marcando a quinta redução trimestral consecutiva. Este movimento sugere um aquecimento gradual do setor, com a oferta de espaços de qualidade se tornando mais escassa.
Contexto e Recuperação do Mercado
O mercado de imóveis corporativos de alto padrão no Rio de Janeiro, que abrange os padrões A+ e A, conta com um estoque total aproximado de 1,8 milhão de metros quadrados. A absorção líquida, que mede a diferença entre as áreas de novos contratos e as devoluções de espaços, somou 15,1 mil metros quadrados no período de julho a setembro. Este volume é o dobro do novo estoque entregue, que totalizou 7,5 mil metros quadrados, composto pelos empreendimentos Aliança da Bahia (4.835 m²) no Centro e Leblon Green (2.674 m²) na Zona Sul. A disparidade entre a absorção líquida e o novo estoque entregue é um forte indicativo do aumento da demanda.
Mecanismos de Valorização e Demanda
O preço médio pedido de locação também acompanhou a tendência de alta, alcançando R$ 85,99 por metro quadrado ao mês, um aumento de R$ 4,38 em relação ao trimestre anterior. Este cenário é impulsionado pela redução gradual da disponibilidade de espaços e pela crescente demanda por escritórios de alto padrão. A absorção bruta, que totaliza todas as áreas contratadas, chegou a 22,2 mil metros quadrados no trimestre. Destaque para as locações realizadas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro (2.400 m²), pela Cepel (2.382 m²) e pelo Grupo Monto (2.108 m²), demonstrando o interesse de grandes ocupantes em espaços de qualidade.
Implicações e Diferenças Regionais
Apesar da recuperação geral, a vacância apresenta variações consideráveis entre as diferentes regiões da cidade. Botafogo lidera com a menor taxa, 4,8%, seguida pela Zona Norte (13,6%) e Barra da Tijuca (15,2%). Em contrapartida, Rio Comprido (35,2%), a região Portuária (26,8%) e o Centro (26,6%) ainda enfrentam desafios maiores. A Petrobras se mantém como a maior locatária, com cerca de 119 mil m², seguida por Bradesco e Caixa Econômica Federal. A projeção da Binswanger para o quarto trimestre de 2026 indica uma nova redução na vacância para 23,9%, mesmo com a entrega de 31 mil m² de novo estoque, incluindo o Rythme Leblon e a sede do Ministério Público Militar.
Perguntas em Aberto e Perspectivas Futuras
Para 2027, não há novas entregas de empreendimentos previstas, o que pode levar a uma queda ainda maior na vacância, projetada pela Binswanger para 20,3% em um cenário de referência. Contudo, a consultoria ressalta que a recuperação dependerá da continuidade da absorção de espaços. Cerca de 75 mil m² em obras estão paralisados, adicionando uma camada de incerteza à oferta futura. O mercado imobiliário corporativo do Rio de Janeiro demonstra resiliência e um caminho promissor, mas a dinâmica de absorção e a gestão da oferta serão cruciais para consolidar essa recuperação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





