A gestora de venture capital Disruptive anunciou um novo fundo de US$ 10 bilhões, o maior de sua história e o terceiro maior levantado por uma firma de VC neste ano, atrás de Andreessen Horowitz e Thrive Capital. Fundada e liderada por Alex Davis, neto do magnata do petróleo Marvin Davis, a empresa de Dallas consolida sua posição como a maior de Texas em ativos sob gestão. Em um cenário onde grandes empresas de tecnologia permanecem privadas por mais tempo, a Disruptive, com seus 30 funcionários, planeja investir até US$ 1 bilhão em apenas 10 empresas em estágio avançado e de crescimento. O foco recai sobre startups de tecnologia de defesa, fabricantes de modelos de IA e plataformas de nuvem para aluguel de chips de IA.

O Foco Estratégico de Alex Davis

A estratégia de concentração de capital em poucas empresas é um diferencial notável. Alex Davis declarou à Forbes que o fundo deve ser investido em aproximadamente um ano e meio, direcionado a companhias "que provavelmente estejam perto de abrir capital ou já prontas para isso". Antes deste último fundo, a Disruptive já gerenciava US$ 10 bilhões em ativos. A firma ganhou notoriedade com o apoio à Groq, uma startup de chips que, após receber US$ 350 milhões da Disruptive em 2025, fechou um acordo de licenciamento de US$ 20 bilhões com a Nvidia poucos meses depois. Davis, que fundou a empresa em Los Angeles antes de retornar a Texas durante a pandemia, tem um histórico de investimentos em gigantes como Palantir, Airbnb, Lyft e Spotify, além de participações atuais em Anthropic, OpenAI, Anduril, Shield AI e Helsing.

O Cenário de Investimento em Tecnologia

Davis identifica oportunidades significativas em tecnologia de defesa, observando um aumento sem precedentes em contratos importantes para startups do setor. Ele também vê grande potencial em empresas que desenvolvem modelos de IA de código aberto e em aplicações de inferência de IA — o processo de executar modelos de IA para uso prático. A aposta em chips como os LPU da Groq, que aceleram a inferência, contrasta com a saturação em treinamento de modelos. A firma também busca acelerar o desenvolvimento de data centers, reduzindo o tempo de construção de mais de dois anos para poucos meses, um desafio tecnológico que ainda não foi totalmente solucionado no mercado.

Implicações para o Ecossistema de VC

O movimento da Disruptive sinaliza uma tendência crescente no venture capital: a busca por fundos maiores e mais concentrados, apostando em um número menor de empresas com potencial de alto impacto e crescimento rápido. Essa abordagem pode gerar retornos exponenciais, mas também implica um risco maior caso as poucas apostas não se concretizem. Para as startups, a entrada de um fundo desse porte pode significar um impulso substancial para escalar operações, mas também pode vir acompanhada de expectativas elevadas e pressão por resultados rápidos. O foco em setores como defesa e IA reflete a priorização de áreas com forte potencial de disrupção e demanda crescente, impulsionadas por avanços tecnológicos e tensões geopolíticas.

Perguntas em Aberto

Resta saber se a estratégia de investir pesadamente em apenas dez empresas se provará sustentável e lucrativa a longo prazo, especialmente em um mercado de tecnologia em constante mutação. A capacidade da Disruptive de identificar e apoiar essas poucas empresas de alto potencial será crucial. Além disso, o sucesso dessas apostas pode influenciar a forma como outros fundos de VC estruturam seus próximos levantamentos de capital e estratégias de investimento, potencialmente levando a uma maior concentração de capital em um número ainda menor de startups promissoras. A dinâmica de mercado e a evolução tecnológica ditarão o sucesso dessa aposta.

A aposta da Disruptive em um portfólio reduzido e focado em setores de ponta reflete uma confiança na capacidade de suas lideranças em identificar unicórnios em potencial, mas o mercado observará atentamente os resultados dessa estratégia de alto risco e alta recompensa. Acompanhar de perto as 10 empresas selecionadas e seus desenvolvimentos será fundamental para entender o impacto dessa nova fase da gestora. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España