A Vixtra acaba de captar R$ 45 milhões em uma rodada Série A liderada pela Valor Capital, reforçando sua estratégia de se posicionar como o principal parceiro bancário para empresas de importação. A rodada contou com a participação de investidores como Headline, NXTP, Actyus, Bluestone e Simma Capital. O aporte será direcionado ao desenvolvimento de novos produtos, com foco especial na integração de stablecoins para otimizar operações de câmbio e empréstimos, além da expansão da equipe comercial.

Fundada em 2021, a startup combina a expertise de Leonardo Baltieri no setor de investment banking com a vivência de Guilherme Rosenthal e Caio Gelfi no mercado de comércio exterior. A proposta central é substituir processos analógicos e sistemas legados por uma plataforma de gestão integrada. Segundo a companhia, a tecnologia permite uma análise de crédito mais assertiva, utilizando os dados de logística para viabilizar operações que bancos tradicionais frequentemente evitam.

A lógica do crédito colateralizado

O diferencial competitivo da Vixtra reside na estrutura de suas garantias. Enquanto grandes bancos exigem duplicatas, imóveis ou saldos em conta, a fintech utiliza a própria mercadoria em trânsito como colateral. Essa modalidade permite que o importador transforme um ativo parado em capital de giro, com a segurança de que, em caso de inadimplência, o produto pode ser retido no porto e comercializado para outros players da base de clientes.

Essa dinâmica de risco reduzido permitiu à Vixtra construir uma carteira de crédito de R$ 250 milhões, com mais de 200 empresas atendidas. Com um prazo médio de 90 dias nas operações, o volume anualizado já alcança a marca de R$ 1 bilhão. A empresa reporta um ARR de US$ 12 milhões e um crescimento de 2,5 vezes no comparativo anual, evidenciando a demanda por soluções financeiras mais flexíveis no setor de comércio exterior.

O papel das stablecoins no trade finance

O uso de stablecoins surge como uma aposta estratégica para reduzir custos e aumentar a velocidade das transações de câmbio. Ao contornar parte da infraestrutura bancária tradicional, a Vixtra busca oferecer taxas mais competitivas do que os incumbentes. A empresa já possui versões beta de soluções de câmbio e crédito baseadas em criptoativos, com lançamento oficial previsto para os próximos meses.

Essa incursão no universo cripto reflete uma tendência de otimização de fluxos financeiros globais. A ideia é que, ao integrar stablecoins ao cotidiano do importador, a fintech consiga reduzir o atrito operacional que hoje caracteriza o comércio exterior brasileiro. A conta global, também em desenvolvimento, complementa essa visão de oferecer um ecossistema bancário completo e fluido para o setor.

Desafios e expansão comercial

Atualmente, a Vixtra atrai cerca de 10 novos clientes por mês, mas projeta dobrar ou triplicar esse ritmo com o reforço na estratégia de marketing e vendas. A tese da empresa é que, embora seus clientes mantenham relacionamento com bancos tradicionais para operações de crédito convencionais, a Vixtra se torna a escolha prioritária para o financiamento colateralizado e serviços de câmbio ágeis.

A expansão para produtos como seguros e hedge cambial está no horizonte de médio prazo. O objetivo final é transformar a plataforma em uma solução integral de trade banking, capaz de atender todas as necessidades financeiras de importadores e exportadores, consolidando a empresa como uma infraestrutura essencial para o comércio internacional.

O futuro da infraestrutura bancária

O sucesso da Vixtra dependerá de sua capacidade de escalar a originação de crédito sem comprometer a qualidade da carteira e de navegar pelas incertezas regulatórias associadas ao uso de stablecoins. A adoção tecnológica no comércio exterior ainda é um terreno vasto, mas a concorrência por esse nicho tende a aumentar à medida que outras fintechs percebem a ineficiência dos modelos legados.

O mercado observará atentamente se a estratégia de colateralização baseada em mercadorias físicas continuará resiliente diante de cenários macroeconômicos mais desafiadores. A transição para um banco completo para o importador é um movimento ambicioso que coloca a Vixtra em rota de colisão direta com grandes instituições financeiras, testando o limite da inovação em um setor historicamente conservador.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech