A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos acaba de ganhar um novo e elevado obstáculo. O governo americano anunciou a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre aproximadamente 3 mil produtos brasileiros, uma medida que atinge um volume de US$ 12,5 bilhões em exportações anuais. A decisão é resultado de uma investigação sob a Seção 301, que apura o uso de trabalho forçado na produção de bens.

O ponto mais crítico, no entanto, não é apenas a nova tarifa, mas seu efeito cumulativo. Segundo a Amcham Brasil, a câmara de comércio americana no país, para 85% dessas vendas — um montante de US$ 10,7 bilhões — a sobretaxa se soma a outra de 25% anunciada anteriormente. O resultado é uma alíquota efetiva de 37,5%, um patamar que, na prática, pode inviabilizar a competitividade de diversos setores no mercado americano.

O cálculo da competitividade e o dilema da reciprocidade

A matemática da nova barreira tarifária é dura e representa um golpe direto na balança comercial bilateral, que já vinha em trajetória de retração. A Amcham, em nota, calcula que a medida não apenas compromete a competitividade brasileira, mas tende a elevar custos para empresas e consumidores nos próprios Estados Unidos, fragilizando cadeias produtivas que foram integradas ao longo de décadas entre os dois países.

A posição da Amcham é particularmente relevante. Por representar os interesses de empresas americanas no Brasil, seu alerta contra uma eventual medida de reciprocidade por parte do governo brasileiro carrega um peso significativo. A entidade argumenta que uma retaliação não resolveria a divergência e apresentaria um "elevado risco de provocar escalada política e comercial", agravando os impactos econômicos para ambos os lados.

O recado é claro: o caminho para a solução passa pela mesa de negociação, não por uma guerra comercial. Para a Amcham, a reversão do cenário depende da retomada do diálogo entre os governos para ampliar a previsibilidade para empresas e investidores. A questão que fica no ar é se a diplomacia conseguirá se sobrepor à pressão por uma resposta mais dura, colocando à prova a estratégia da política externa brasileira diante de seu segundo maior parceiro comercial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times