As ações da WEG (WEGE3) enfrentam um momento de ajuste nas expectativas do mercado, conforme aponta relatório recente do Bank of America (BofA). Analistas do banco destacam um cenário de dois pesos para a fabricante catarinense: a expansão agressiva da capacidade produtiva no segmento de transmissão e distribuição (T&D) consolida a tese de crescimento estrutural, mas impõe pressão imediata sobre as margens operacionais da empresa.

Segundo o documento, a companhia deve dobrar sua capacidade no setor de T&D entre o final de 2026 e o início de 2027, com investimentos concentrados no Brasil, México e Colômbia. A estratégia, embora robusta, exige um desembolso antecipado em despesas de pessoal e estrutura antes que as novas plantas alcancem a eficiência produtiva necessária para diluir esses custos.

O desafio das margens em 2026

A principal preocupação levantada pelos analistas reside na dinâmica das margens Ebitda. O BofA projeta um recuo de aproximadamente 1 ponto percentual no segundo semestre de 2026, empurrando o indicador para a faixa inferior do histórico recente, entre 22% e 23%. Esse movimento ocorre porque o reconhecimento das despesas operacionais antecede a plena entrada em operação das novas linhas.

Contudo, o impacto negativo deve ser mitigado pelo modelo de negócio da companhia. A WEG opera com equipamentos de ciclo longo, cuja receita é reconhecida pelo método de percentual de conclusão (PoC). Isso permite que projetos em fase de aceleração gerem fluxo de caixa antes mesmo da entrega final, amortecendo o choque de custos que, em outras indústrias, seria mais severo.

Mecanismos de compensação e rentabilidade

O BofA projeta que a pressão sobre as margens seja temporária, invertendo-se a partir de 2028. O aumento da absorção da capacidade instalada e o maior peso do segmento de T&D — considerado estruturalmente mais rentável — devem atuar como motores de impulso para os resultados. Além disso, fatores macroeconômicos como a desvalorização do real frente ao dólar e a manutenção de taxas de juros elevadas, que favorecem a receita financeira da empresa, oferecem um colchão de segurança.

A estabilização operacional também é esperada com a redução das tensões nas tarifas comerciais globais e a normalização dos custos de matérias-primas, como o cobre. Esses elementos, combinados à eficiência histórica de execução da companhia, sustentam a visão de que a WEG mantém sua relevância no mercado global de eletrificação.

Perspectivas para o investidor

Para o mercado, o dilema reside no valuation. Com as ações negociando a cerca de 25 vezes o lucro estimado para 2027, o banco entende que o preço atual já reflete grande parte da trajetória de crescimento esperada. O preço-alvo de R$ 53, estabelecido pelo BofA, sugere um potencial de valorização limitado, o que justifica a recomendação neutra mantida pelos analistas.

O cenário exige cautela quanto a revisões positivas de lucros no curto prazo. Embora a tese de longo prazo permaneça intacta, o momento é de monitoramento da execução dos projetos de expansão e da capacidade da gestão em converter o investimento em margens superiores, em um cenário de riscos domésticos que, segundo o banco, apresentam tendência de alta.

O que observar daqui para frente

O mercado aguarda a entrega dos projetos no Brasil, México e Colômbia nos prazos estipulados para validar as projeções de receita de R$ 41,2 bilhões para 2026. A capacidade da empresa em repassar custos e manter a disciplina financeira sob um ambiente de juros voláteis será determinante para a performance do papel nos próximos trimestres.

A trajetória da WEG segue sendo um reflexo da demanda global por infraestrutura energética. Resta saber se o mercado encontrará novos gatilhos para uma reavaliação de múltiplos ou se o papel seguirá consolidado nos níveis atuais enquanto a nova capacidade produtiva não é totalmente absorvida pela operação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney