A Xiaomi está testando um novo tablet topo de linha, o Pad 9 Pro Max, que apareceu em testes de desempenho na plataforma Geekbench. O destaque não é o aparelho em si, mas o que está dentro dele: o processador XRING O3, um chip de 10 núcleos desenvolvido pela própria fabricante chinesa, segundo reportagem do site Canaltech.

Mais do que uma simples atualização de produto, o movimento é um passo estratégico fundamental. Ao desenvolver seu próprio silício, a Xiaomi segue o manual da Apple, e mais recentemente do Google, buscando maior controle sobre a performance e a integração de seu hardware. A leitura é que a empresa está pavimentando um caminho para reduzir sua dependência de fornecedores como Qualcomm e MediaTek, um movimento caro, complexo, mas que pode gerar dividendos significativos em diferenciação e margens no longo prazo.

A verticalização como estratégia

Controlar o design do próprio processador permite a uma empresa otimizar a sinergia entre hardware e software, um dos pilares do ecossistema da Apple. Essa integração vertical possibilita ganhos de eficiência energética, desempenho e a implementação de funcionalidades exclusivas, difíceis de replicar usando componentes de prateleira. Para a Xiaomi, que compete em um mercado saturado de dispositivos Android, ter um chip proprietário é uma declaração de que a ambição vai além de montar aparelhos com peças de terceiros.

O XRING O3, com seus 10 núcleos e pontuação de mais de 13 mil pontos no teste multi-core do Geekbench, posiciona o futuro tablet no segmento de alta performance. Embora o resultado seja ligeiramente inferior a um teste anterior vazado, flutuações são comuns em fases de prototipagem, enquanto a otimização de software e gerenciamento térmico ainda está em andamento. O fato de os modelos mais básicos da linha Pad 9 ainda usarem chips da Qualcomm sugere uma abordagem cautelosa, usando um produto de nicho e alta margem para testar sua nova tecnologia em campo.

O verdadeiro teste, contudo, transcende os números de benchmark. A questão é se o desempenho no mundo real e a experiência do usuário justificarão o investimento. O lançamento, esperado para setembro, será o primeiro veredito sobre a capacidade da Xiaomi de não apenas fabricar, mas de projetar os componentes centrais de seus produtos. Para o mercado, é mais um sinal de que a competição no setor de eletrônicos de consumo está se tornando uma batalha por ecossistemas integrados, não apenas por especificações isoladas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Canaltech