O Brasil continua no radar do investidor estrangeiro, apesar do cenário de juros e inflação elevados, que historicamente favorece empresas com geração de caixa previsível e bom histórico de dividendos. Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, destacou que a combinação de taxa Selic alta e incertezas econômicas direciona a preferência do mercado para ativos mais resilientes e com resultados previsíveis.

Nesse contexto, Figueredo aponta os setores defensivos e financeiros como os mais promissores. Esses segmentos, segundo o executivo, têm demonstrado capacidade de superar o CDI em diferentes janelas de tempo, considerando tanto a valorização das ações quanto os dividendos distribuídos. A estratégia de investimento se molda a um período de maior aversão ao risco, com foco na reancoragem das expectativas em relação às políticas econômicas e fiscais do novo governo.

O Foco no Cenário Fiscal e em 2027

A atenção do mercado se volta não apenas para os anúncios de políticas, mas crucialmente para a forma como serão executadas e financiadas, especialmente diante das discussões sobre o ajuste fiscal. A clareza e a eficácia na gestão das contas públicas são vistas como determinantes para a composição das carteiras de investimento no início de 2027. O estrategista da XP sinaliza que a percepção de risco pode aumentar caso as medidas fiscais não atendam às expectativas, impactando a disposição do investidor em manter ou aumentar suas posições no mercado brasileiro.

Investidor Estrangeiro Mantém Presença, Mas com Ressalvas

Figueredo reitera que o investidor estrangeiro não abandonou o Brasil. O país é considerado relevante globalmente por possuir recursos e setores estratégicos, como terras raras, segurança alimentar, petróleo e energia, que estão no centro das discussões internacionais. Essa relevância intrínseca é um fator que mantém o interesse do capital externo, mesmo que haja uma ligeira redução em algumas posições.

O Risco da Frustração e a Sustentabilidade dos Preços

Contudo, o principal risco apontado pelo estrategista reside em uma eventual frustração do investidor estrangeiro com os rumos do país. Se essa percepção negativa se consolidar, a saída desses investidores pode dificultar a sustentação dos atuais níveis de preço no mercado. A falta de um comprador local robusto para absorver grandes volumes de venda pode levar a uma desvalorização acentuada dos ativos, evidenciando a fragilidade do mercado ante a volatilidade do capital internacional.

Perguntas em Aberto e o Futuro das Carteiras

A execução das políticas fiscais e econômicas nos próximos meses será crucial para definir o apetite do investidor estrangeiro. A capacidade do governo em transmitir segurança e previsibilidade, aliada à resiliência das empresas brasileiras, determinará se o fluxo de capital se manterá ou se haverá uma reavaliação significativa das posições no Brasil. O mercado observará atentamente os próximos passos para calibrar suas estratégias diante de um cenário ainda incerto, mas com fundamentos estratégicos relevantes.

O cenário atual exige uma análise criteriosa da relação risco-retorno, com a XP sugerindo cautela e foco em empresas com solidez financeira e capacidade de geração de caixa. A dinâmica do investimento estrangeiro, embora positiva em sua essência, carrega consigo o risco latente de reversão caso as expectativas não sejam atendidas, o que pode impactar a estabilidade do mercado local. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times