A XP Investimentos ajustou sua carteira recomendada de small caps para setembro, em um movimento que revela uma leitura atenta dos ventos macroeconômicos e setoriais do Brasil. A principal alteração foi a inclusão da construtora Direcional (DIRR3), refletindo uma aposta direta na retomada do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
As mudanças, detalhadas em relatório repercutido pelo Money Times, sinalizam uma rotação estratégica. Enquanto aposta em setores com gatilhos específicos, como construção civil e agronegócio, a gestora reduz a exposição ao varejo discricionário, um reflexo da cautela com o poder de compra do consumidor em um cenário ainda desafiador.
O fator Minha Casa, Minha Vida
A entrada da Direcional na carteira, com um peso de 5%, é a peça central da tese. A XP justifica a escolha com base no múltiplo considerado atrativo e, crucialmente, na exposição da companhia à melhora das perspectivas do MCMV. A leitura é que o programa habitacional do governo federal funcionará como um motor de crescimento para construtoras focadas no segmento de baixa renda, independentemente de oscilações mais amplas da economia.
Para abrir espaço, a XP promoveu uma leve redução na posição em Cury (CURY3), de 12,5% para 10%. A corretora frisa que a decisão foi tática, visando equilibrar a exposição ao setor, e não altera a visão positiva sobre a Cury. O ajuste fino sugere uma estratégia de diversificação dentro da mesma tese: manter-se exposto ao mercado imobiliário popular, mas distribuindo o risco entre players-chave.
Agronegócio em alta, varejo em baixa
O outro pilar da estratégia é o agronegócio. A XP elevou a exposição à SLC Agrícola (SLCE3) de 5% para 7,5%, citando uma visão mais construtiva para commodities como algodão, soja e milho. O movimento busca capturar o bom momento de um setor com forte demanda global e que serve como um dos principais motores da balança comercial brasileira.
Na contramão, a posição na varejista C&A (CEAB3) foi cortada pela metade, de 10% para 5%. A justificativa é dupla: uma decisão macro de diminuir a exposição ao consumo em um cenário de incertezas e uma avaliação micro de que o setor de vestuário enfrenta um trimestre pressionado por fatores como um inverno mais ameno. A troca de C&A por SLC é um retrato claro da busca por teses descorrelacionadas do humor do consumidor doméstico.
A carteira da XP para setembro é, portanto, um exercício de equilíbrio. Ela tenta navegar a complexidade do cenário brasileiro ao apostar em catalisadores específicos — estímulos governamentais e ciclos de commodities — enquanto se protege da volatilidade do consumo. O resultado mostrará se essa alocação se provará resiliente diante de um quadro macroeconômico que ainda exige cautela.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





