As ações da Natura (NATU3) registraram queda de 3,65% na última quarta-feira (27), cotadas a R$ 10,02, figurando entre os piores desempenhos do Ibovespa no pregão. O movimento foi catalisado pela revisão das estimativas da XP Investimentos, que reduziu o preço-alvo do papel de R$ 14 para R$ 13,50.
O ajuste reflete uma postura mais conservadora da corretora diante dos resultados do primeiro trimestre de 2026 e das novas premissas macroeconômicas. A análise aponta para uma expansão de margem limitada no ano, forçando revisões nas projeções de Ebitda e lucro líquido para os próximos períodos.
O peso das revisões operacionais
A leitura da XP para a Natura é de um cenário de transição, onde a cautela prevalece sobre o otimismo de curto prazo. A corretora reduziu suas estimativas de Ebitda para 2026 e 2027 em 6% e 10%, respectivamente, com um impacto ainda maior no lucro líquido, que teve cortes de 42% e 19%. Essa revisão é sintoma de uma dificuldade maior em convergir ganhos de produtividade com a realidade macroeconômica brasileira e regional.
Além disso, o cronograma de implementação de infraestrutura tecnológica, especificamente o sistema SAP, é visto como um fator de risco. Somado a eventos sazonais como a Copa do Mundo, que historicamente alteram o consumo, a empresa enfrenta um ambiente de execução desafiador que limita a visibilidade de resultados imediatos.
Mecanismos de recuperação e resiliência
Por que, então, a recomendação de compra persiste? Para os analistas da XP, a tese de investimento se sustenta na capacidade da companhia de gerar caixa, mesmo em um cenário de margens pressionadas. A expectativa é de que o fluxo de caixa livre (FCF) alcance R$ 1 bilhão, considerando despesas extraordinárias, ou R$ 1,5 bilhão em um cenário normalizado.
Esse colchão de liquidez é fundamental para sustentar os dividendos, estimados em cerca de 8%. A estratégia da empresa, focada em estimular a produtividade das consultoras e reestruturar operações no Brasil e em Hispana, é vista como o motor de uma recuperação gradual que deve ganhar tração, segundo a análise, apenas no segundo semestre de 2026.
Riscos e o papel dos investidores
O mercado observa com atenção a posição da Advent, cujo eventual exercício de encerramento antecipado do compromisso é apontado como um gatilho para desvalorização adicional do papel. A incerteza em torno desse movimento, combinada com a deterioração macro, cria um ambiente de volatilidade para o investidor de curto prazo.
Para o ecossistema de consumo no Brasil, a Natura continua sendo um termômetro importante sobre a resiliência das vendas diretas. A transição digital e a eficiência operacional seguem como as variáveis que definirão se a empresa conseguirá converter sua base de consultoras em um ativo de maior rentabilidade nos próximos trimestres.
Perspectivas e o que monitorar
Apesar da revisão para baixo, a tese central da XP sugere que o mercado pode estar precificando excessivamente o pessimismo de curto prazo, ignorando a solidez do fluxo de caixa. A questão principal para os próximos meses permanece sendo a velocidade da recuperação operacional e a estabilidade da governança em um momento de ajustes.
O investidor deve monitorar de perto se as campanhas de produtividade serão suficientes para compensar os custos de transição tecnológica. O cenário permanece aberto, com a valorização da ação dependendo fundamentalmente da execução da administração em um ambiente de taxas e consumo ainda incertos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





