A inteligência artificial alterou as leis da física na construção de empresas de tecnologia. Duas premissas históricas do software caíram: a impossibilidade de resolver atrasos de produto apenas injetando capital e a segurança de que reter o cliente e a interface garantia a defesa do negócio. Em vídeo publicado no canal The Frontier | Leadership em 14 de abril de 2026, Ben Horowitz argumenta que, com capital e dados suficientes para comprar GPUs, é possível contornar desvantagens de engenharia. Paralelamente, o domínio da interface perde valor quando o usuário final não é mais um humano, mas um agente de inteligência artificial.
O choque de infraestrutura e o limite físico
A desintegração das barreiras de entrada no software coincide com um teto de infraestrutura física. Horowitz aponta que os Estados Unidos precisam reconstruir sua base industrial imediatamente. A escassez não se limita a minerais de terras raras ou capacidade de manufatura, mas atinge frontalmente a matriz energética. A projeção é que a Nvidia conseguirá fabricar chips suficientes, mas o mercado enfrentará gargalos sequenciais em memória e eletricidade.
Para contexto, a BrazilValley aponta que a transição de gargalos puramente digitais para limites termodinâmicos e elétricos marca uma inversão no ciclo de capital de risco das últimas duas décadas, forçando fundos de software a alocarem capital em ativos de infraestrutura pesada.
É essa tese que fundamentou a recente captação de US$ 15 bilhões pela Andreessen Horowitz, distribuída em parte de seus fundos. A urgência materializou-se em investimentos atípicos para o setor, como o aporte em fabricantes de transformadores elétricos físicos, uma tecnologia que, segundo Horowitz, mudou pouco desde a invenção da eletricidade. Ele cita a abordagem de Elon Musk — de verticalizar e resolver os próprios gargalos da cadeia de suprimentos — como o modelo necessário para o atual cenário de escassez.
Cripto como camada de verificação e liquidação
O barateamento da criação de software e conteúdo gera um subproduto de desconfiança digital em escala. Horowitz descreve um cenário onde a comunicação online se torna inutilizável devido à hiperpersonalização automatizada e ao risco de fraudes financeiras corporativas arquitetadas por agentes sintéticos. A solução para o problema criado pela IA, segundo ele, reside na criptografia.
A infraestrutura blockchain emerge como a ferramenta necessária para provar a humanidade de um usuário e garantir a origem de um conteúdo, estabelecendo uma raiz de acesso em hardware. Além da verificação de identidade, há uma necessidade econômica estrutural: agentes de IA precisarão atuar como atores econômicos autônomos. Como não podem operar sob a infraestrutura tradicional de adquirência de cartões de crédito, a inteligência artificial dependerá de dinheiro nativo da internet para transacionar.
O cenário traçado substitui o risco de disrupção em câmera lenta por uma obsolescência quase instantânea para empresas que dependem de fossos legados. A transição exige que o capital de risco volte a financiar a base industrial e elétrica, enquanto o software busca na criptografia a escassez e a veracidade que a IA eliminou. O que permanece em aberto é se a concentração de recursos energéticos criará oligopólios inescapáveis ou se a computação na ponta descentralizará o futuro da inteligência artificial.
Fonte · Brazil Valley | Leadership




