Em discurso no GTC Taipei 2026, Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, cravou que a inteligência artificial útil e agêntica chegou ao mercado. A tese central do executivo é que a computação deixou de ser um centro de custo para se tornar um gerador direto de receita, onde cada token produzido é uma unidade lucrativa. Para sustentar essa demanda, a arquitetura de processamento está mudando radicalmente: sai o modelo tradicional de aplicações rodando sobre sistemas operacionais genéricos, entra o paradigma dos agentes. Esses sistemas combinam modelos fundacionais, orquestradores de memória, ferramentas e ambientes de execução para observar, raciocinar e agir. Segundo Huang, o impacto já é visível no desenvolvimento de software, onde o volume de submissões no GitHub quase triplicou nos primeiros meses de 2026, transformando uma base salarial global de US$ 3 trilhões em um retorno produtivo estimado em US$ 9 trilhões.

A economia das fábricas de IA e a arquitetura Vera Rubin

Para processar esse novo padrão agêntico, a Nvidia colocou em produção total a arquitetura Vera Rubin. O sistema foi desenhado em escala de rack e pod, consolidando a visão da empresa para além do fornecimento de chips individuais. Huang argumenta que a construção de fábricas de IA representa a maior expansão de infraestrutura da história humana. O custo de capital é massivo: instalações com capacidade de um gigawatt, que antes custavam dezenas de bilhões, estão caminhando para a marca de US$ 100 bilhões cada. Nesse cenário de altíssimo investimento, o desempenho por watt consumido traduz-se diretamente em receita financeira.

A peça central dessa infraestrutura é a nova CPU Vera, desenhada especificamente para agentes. Diferente das CPUs tradicionais otimizadas para usuários humanos e divisão de tempo em segundos, a CPU Vera opera na escala dos nanossegundos para atender à impaciência dos sistemas autônomos na busca por dados. O processador executa dez instruções por ciclo de clock e possui uma largura de banda interna de 3,6 terabytes por segundo. Na prática, a arquitetura acelera bancos de dados estruturados tradicionais, executando SQL três vezes mais rápido, e processamento de dados em tempo real — como as telemetrias utilizadas pela Bolsa de Valores de Nova York — de forma seis vezes mais veloz.

A reinvenção do PC e o ecossistema corporativo

A expansão da Nvidia também mira o processamento local. Quarenta anos após a revolução inicial dos computadores pessoais, a companhia anunciou uma parceria com a Microsoft para reestruturar o PC em torno da inteligência artificial. O hardware habilitador é o RTX Spark, um chip desenvolvido em colaboração com a MediaTek que integra uma GPU Blackwell, uma CPU Grace de 20 núcleos e 128 gigabytes de memória unificada em um processo de três nanômetros. A promessa é rodar todo o ecossistema de software da Nvidia e agentes complexos nativamente em laptops.

No plano corporativo, a empresa lançou um kit de ferramentas que inclui o Neotron 3 Ultra, um modelo de código aberto baseado em uma arquitetura híbrida que promete ser cinco vezes mais rápido e 30% mais barato que as alternativas de fronteira. A aplicação prática dessa pilha tecnológica foi demonstrada em parceria com a Cadence, onde agentes de verificação de design de chips reduziram ciclos de testes de semanas para poucas horas. Para contexto, a BrazilValley aponta que a estratégia de dominar tanto o data center quanto o processamento na borda reflete movimentos históricos da indústria de tecnologia, buscando amarrar desenvolvedores a um ecossistema proprietário de ponta a ponta para ditar os padrões do mercado.

A transição detalhada por Huang evidencia que a Nvidia posiciona-se como a arquiteta fundamental da economia dos tokens, fornecendo desde o projeto elétrico das instalações de data center até os simuladores corporativos e o silício dos computadores pessoais. O desafio estrutural é garantir que a adoção de agentes autônomos cresça na mesma velocidade e escala que os pesados investimentos de capital exigidos por essa nova infraestrutura global.

Fonte · Brazil Valley | Technology