O paradigma da computação digital, alicerçado na lógica binária e em transistores, aproxima-se de um limite físico intransponível à medida que os componentes atingem a escala atômica. O físico teórico Michio Kaku, autor do livro "Quantum Supremacy", argumenta que a iminente falência da Lei de Moore forçará uma transição estrutural para a computação quântica. Em vídeo publicado no canal Brazil Valley | Science em 1 de agosto de 2025, o pesquisador da City University of New York (CUNY) defende que o Vale do Silício corre o risco de se tornar um cinturão da ferrugem se não liderar essa migração. A nova arquitetura, operando não em zeros e uns, mas em estados sobrepostos de elétrons, promete capacidade computacional suficiente para modelar reações moleculares complexas e, no limite, solucionar equações fundamentais da física que escaparam a Albert Einstein.

O colapso do silício e a revolução molecular

Kaku aponta que a Lei de Moore entra em colapso quando os transistores encolhem para uma largura de aproximadamente cinco átomos. Nesse ponto, os elétrons começam a saltar entre os componentes, gerando curtos-circuitos motivados por princípios quânticos. Para superar esse teto, a indústria precisará de computadores atômicos, onde a unidade de informação (qubit) representa todas as posições intermediárias do spin de um elétron simultaneamente.

O físico detalha implicações imediatas dessa mudança de paradigma. Na segurança cibernética, a capacidade dos processadores quânticos de fatorar números gigantescos — como chaves de 50 dígitos — quase instantaneamente ameaça quebrar a criptografia que protege dados globais e segredos de Estado, atraindo o escrutínio de agências de inteligência. Em setores produtivos, Kaku prevê o uso da tecnologia para viabilizar uma segunda revolução verde, modelando a extração de nitrogênio do ar para fertilizantes, e para estabilizar as reações de hidrogênio necessárias para a energia de fusão baseada em água do mar.

Para contexto, a BrazilValley aponta que a preocupação governamental com a quebra de criptografia já impulsiona investimentos bilionários em protocolos de segurança pós-quântica, um esforço de defesa antecipada que reflete o peso estratégico descrito no vídeo.

A teoria de tudo e o limite da simulação

Além das aplicações de mercado, Kaku posiciona a computação quântica como a ferramenta definitiva para a física teórica. O pesquisador trabalha com a teoria das cordas — modelo que descreve partículas subatômicas como notas musicais em cordas vibrantes —, mas reconhece que o arcabouço matemático atual é complexo demais para resolução humana ou digital. Ele ilustra o problema lembrando que nenhum modelo matemático sem o auxílio de computadores conseguiu, até hoje, extrair um próton da combinação teórica de três quarks.

O poder de processar múltiplos estados simultaneamente também fundamenta a rejeição de Kaku à hipótese de que a humanidade vive em uma simulação de computador. Ele argumenta que modelar o comportamento quântico de trilhões de átomos, sujeitos ao efeito borboleta, exigiria uma capacidade computacional matematicamente impossível, requerendo volumes de informação na ordem de um seguido por 25 zeros apenas para simular um aquário.

Em uma tangenciada sobre anomalias físicas, o autor cita dados recentes da Marinha americana sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs). Kaku destaca objetos capazes de acelerar para Mach 20, ziguezaguear e transitar entre o ar e a água. Segundo ele, o ônus da prova agora recai sobre as forças armadas para demonstrar que esses veículos, que desafiam as leis conhecidas da engenharia e suportariam forças centrífugas esmagadoras, não possuem origem extraterrestre.

A tese central do pesquisador reforça que o futuro da computação não será uma mera aceleração do modelo digital, mas uma ruptura arquitetônica profunda. A análise editorial reconhece que, enquanto o cronograma exato para a supremacia quântica comercial em larga escala permanece incerto, a corrida entre corporações e nações já reconfigura o mapa de risco global. Se a capacidade de dominar a matéria em nível atômico for o divisor de águas tecnológico do século, o abismo entre os que adotam os qubits e os que permanecem no silício será definitivo.

Fonte · Brazil Valley | Science