Em reportagem recente da Forbes, a trajetória da Ancient Crunch revela como uma aposta na ultra-premiumização de um produto básico transformou um snack de US$ 13 em um negócio com receita anual estimada em US$ 50 milhões em apenas quatro anos. A empresa, fabricante da marca Masa, construiu sua tese rejeitando a infraestrutura tradicional da indústria alimentícia. Fundada em 2022 pelo ex-engenheiro da Meta Steven Rofrano e pelo ex-executivo de private equity Seth Goldstein, a marca nasceu da frustração com os salgadinhos convencionais. Após ver Goldstein consumindo o que chamou de "lavagem de óleo de semente e pesticida" durante uma viagem a Miami, Rofrano idealizou um produto frito em sebo bovino alimentado a pasto. O resultado rapidamente se tornou o chip mais vendido na rede californiana Erewhon e um símbolo de status para consumidores obcecados por bem-estar.
A Recusa da Terceirização e o Custo do Premium
A decisão de utilizar sebo bovino em vez de óleos vegetais baratos forçou a Ancient Crunch a verticalizar sua produção desde o início. Após receberem recusas de cerca de 200 fabricantes — cujas instalações eram adaptadas exclusivamente para óleos de sementes —, os fundadores investiram US$ 250 mil de suas próprias economias para construir uma fábrica em Nova Jersey. A primeira leva comercial, produzida no verão de 2022 com US$ 8 mil em equipamentos operados em uma cozinha comercial de 400 pés quadrados, havia esgotado online em apenas um dia.
O modelo de negócios reflete os altos custos dessa independência operacional. A empresa gasta mais de US$ 100 mil mensais apenas com a compra de sebo bovino. Rofrano argumenta que, embora os consumidores considerem o preço final elevado — chegando a superar US$ 18 em alguns supermercados —, eles desconhecem o custo real de fabricação com ingredientes de qualidade superior. A operação vende cerca de 500 mil pacotes mensais e opera no vermelho, embora projete margens EBITDA futuras entre 10% e 20%. O fundador afirma que o objetivo não é criar uma alternativa saudável, mas sim a "melhor versão" do snack, argumentando que o produto da Masa é mais fiel à receita original do que os fabricados pela grande indústria alimentícia.
O Fenômeno Cultural e a Rota de Aquisição
O crescimento da Masa, que saltou de uma estimativa de US$ 20 milhões de receita anual em 2024 para os atuais US$ 50 milhões, foi impulsionado por uma adoção cultural específica. As embalagens listradas tornaram-se presença constante nas cozinhas de influenciadores do movimento "Maha" e ganharam o endosso de figuras midiáticas como Joe Rogan e Tucker Carlson. A estratégia de distribuição acompanhou o apelo, expandindo para 2.500 lojas nos Estados Unidos, incluindo lançamentos na Target da Califórnia e em toda a rede Whole Foods.
Para contexto editorial, a BrazilValley nota que o mercado de snacks com apelo de saudabilidade tem registrado avaliações agressivas por conglomerados em busca de diversificação de portfólio. A Forbes estima que uma potencial aquisição da Ancient Crunch poderia alcançar a marca de US$ 200 milhões. O cálculo baseia-se no múltiplo de aproximadamente quatro vezes a receita pago pela PepsiCo ao comprar a fabricante de chips sem grãos Siete por US$ 1,2 bilhão em 2024.
A trajetória da Masa ilustra o limite elástico da precificação no setor de bens de consumo quando atrelada a uma narrativa rigorosa de pureza de ingredientes. Ao tentar construir a "LVMH dos snacks salgados", a Ancient Crunch prova que existe demanda substancial para produtos básicos hiper-premium ancorados em tribos culturais fortes. O desafio da companhia transita agora da validação de mercado para a eficiência: provar que a verticalização forçada e os insumos de alto custo podem sustentar um negócio lucrativo em escala nacional.
Fonte · Brazil Valley | Food




