Em discussão recente sobre comunicação corporativa, os fundadores da gestora Andreessen Horowitz (a16z), Marc Andreessen e Ben Horowitz, articularam uma ruptura definitiva com as práticas tradicionais de relações públicas. A tese central é que a velha mídia opera na defesa, aterrorizada com a possibilidade de desagradar, enquanto a nova mídia exige uma postura de ataque, focada exclusivamente em ser interessante. Horowitz relatou que, nos primeiros dias da gestora, um vazamento mal interpretado pelo New York Times sobre os retornos dos fundos causou tamanho pânico interno que a firma quase foi dada como morta. A lição extraída desse período de vulnerabilidade foi o imperativo de construir canais próprios. Hoje, a estratégia da a16z é inundar a zona: ignorar os veículos tradicionais que filtram ou distorcem mensagens e ir diretamente ao público-alvo por meio de podcasts, textos longos e redes sociais.

A velocidade como arma psicológica

Andreessen utiliza o conceito militar do OODA Loop (Observar, Orientar, Decidir, Agir), criado pelo piloto de caça John Boyd, para explicar a dinâmica da internet. A premissa é que a velocidade supera a massa. Se uma entidade consegue processar seu ciclo de decisão de forma sustentavelmente mais rápida que seu oponente, ela o força a recomeçar constantemente sua própria avaliação da realidade. O resultado final dessa assimetria, segundo Andreessen, é o colapso psicológico do adversário.

Na aplicação midiática, a internet acelera os eventos de tal forma que editores de notícias e produtores de televisão perdem o controle da narrativa. O ciclo de um post viral na internet dura cerca de 24 a 36 horas, subindo rapidamente e caindo no esquecimento assim que um novo assunto domina a atenção coletiva. Consequentemente, a mídia tradicional passa a cobrir o que já foi viral ontem, operando de forma crônica e reativa.

Para contexto, a BrazilValley aponta que a transição de corporações atuando como seus próprios veículos de mídia ganhou tração na última década, impulsionada pela fragmentação das audiências e pela ascensão de algoritmos de recomendação, permitindo que marcas de venture capital e tecnologia ditem ciclos de notícias sem depender da curadoria de jornais de alcance nacional.

A adaptação ao meio e a cultura oral da internet

Atualizando a máxima de Marshall McLuhan de que o meio é a mensagem, Andreessen argumenta que o formato nativo da internet é o post viral. Isso exige que figuras públicas e CEOs abandonem a postura corporativa polida e vazia e passem a articular o que realmente pensam. Horowitz nota que fundadores de empresas, por natureza, possuem ideias originais, o que os torna ideais para esse novo ambiente, ao contrário de executivos profissionais limitados por políticas corporativas de contenção de danos.

A internet, segundo a discussão, opera simultaneamente como uma cultura escrita e oral. Enquanto um tweet curto funciona com a emotividade explosiva de uma conversa oral, um podcast de três horas carrega a profundidade analítica da cultura escrita, mesmo sendo consumido em áudio. A a16z tem explorado essa dualidade oferecendo um lançamento como serviço (launch as a service) para as empresas de seu portfólio, garantindo distribuição viral e ajudando CEOs a falarem diretamente com seus mercados sem intermediários.

A estratégia da a16z reflete um realinhamento de poder no Vale do Silício. Ao tratar a distribuição de conteúdo como uma competência interna essencial, a gestora não apenas protege sua própria reputação, mas transforma a atenção em um serviço escalável para suas investidas. A recusa em jogar pelas regras da velha guarda indica que o capital de risco agora entende a mídia não como um risco a ser mitigado, mas como uma alavanca operacional de ataque. O desafio remanescente é sustentar a relevância em um ambiente onde a velocidade, e não o editor, dá a palavra final.

Fonte · Brazil Valley | Advertising