A transição do Google de um mecanismo de busca para um ecossistema de agentes autônomos está sendo financiada pela maior alocação de capital da história da empresa. Em apresentação no Google Marketing Live 2026, Philipp Schindler, Chief Business Officer, revelou que o Google projeta um CapEx de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões para o ano — um salto de aproximadamente seis vezes em relação aos US$ 31 bilhões investidos em 2022. O objetivo desse investimento massivo em infraestrutura full-stack é sustentar a era do que a empresa batizou de "Agentic Commerce", impulsionada pela nova série de modelos Gemini 3.5 Flash, que, segundo Schindler, entrega tokens quatro vezes mais rápido que outros modelos de fronteira. A estratégia central é eliminar o atrito entre a descoberta e a transação, transformando a intenção do usuário em ações executadas por IA.

A infraestrutura do comércio guiado por agentes

O pilar dessa nova arquitetura é o Universal Commerce Protocol (UCP), descrito por Vidhya Srinivasan, líder de Ads e Commerce, como um novo padrão da indústria codesenvolvido com parceiros como Amazon, Meta, Microsoft, Salesforce e Stripe. O protocolo estabelece uma linguagem comum para conectar agentes e lojistas em tempo real, permitindo checkout nativo diretamente em anúncios e vídeos no YouTube, sem a necessidade de integrações customizadas. Para contexto editorial, a BrazilValley aponta que a criação de um protocolo interoperável com rivais históricos sinaliza uma tentativa de padronizar a infraestrutura de transações em um momento onde a inteligência artificial ameaça fragmentar as jornadas de compra.

A materialização desse protocolo para o consumidor é o Universal Cart, um carrinho de compras inteligente e agêntico que opera através do ecossistema do Google — da busca ao YouTube e Gmail. Do lado do desenvolvedor e do usuário, Schindler introduziu o Google Antigravity, uma plataforma de desenvolvimento focada em agentes que acelerou o ciclo de engenharia interna da empresa, e o Gemini Spark, um agente pessoal 24/7 integrado ao aplicativo Gemini. O Spark é projetado para automatizar fluxos de trabalho complexos, desde o monitoramento de e-mails para pequenas empresas até a análise de dados e implantação de campanhas criativas para clientes corporativos.

A reinvenção da busca e do vídeo

A adoção da inteligência artificial generativa está alterando o comportamento do usuário e, consequentemente, a economia dos anúncios. Schindler destacou que as consultas de busca atingiram um pico histórico, com as pesquisas no AI Mode durando três vezes mais que as tradicionais. O executivo argumentou que o modelo de escolha manual de palavras-chave tornou-se obsoleto, exigindo que os anunciantes confiem em sistemas como o AI Max, que entregou 27% mais conversões em comparação com campanhas manuais. Novos formatos de anúncios, como Business Agent for Leads e Direct Offers, agora operam como respostas conversacionais e transacionais dentro do AI Mode.

No YouTube, a integração da IA visa consolidar a plataforma como um motor de demanda e conversão. Nicky Rettke, líder de produtos de anúncios do YouTube, revelou a expansão das campanhas Demand Gen para o Google Maps e a introdução de Product Feeds em tablets e anúncios em pausa. A empresa também anunciou a função Ask YouTube, que transforma a busca de vídeos em uma interface conversacional. Schindler reforçou o domínio da plataforma afirmando que o YouTube lidera o tempo de exibição em streaming há três anos e anunciou que a transmissão do Oscar migrará para o YouTube em 2029. Segundo um estudo de MMM com a TransUnion citado no evento, a combinação de Google e YouTube entrega um ROAS 40% superior a outras mídias.

A mensagem do Google para o mercado publicitário em 2026 é um ultimato sobre a automação. A promessa de um retorno de seis dólares para cada dólar investido na busca global exige que as marcas cedam o controle granular das campanhas para os modelos da empresa. O sucesso dessa tese dependerá da capacidade do Universal Commerce Protocol de ganhar tração global e de provar que a conveniência dos agentes autônomos supera as preocupações com a perda de controle estratégico por parte dos anunciantes.

Fonte · Brazil Valley | Advertising