A estratégia que levou Tibo Lou Lucas, conhecido como TBO Maker, a vender sua startup Tweet Hunter foi contraintuitiva: construir e lançar "produtos ruins" repetidamente. Em conversa no podcast This Week in Startups, o empreendedor francês detalhou como o processo de lançar um novo produto por semana, mesmo que a maioria falhasse, foi a chave para construir uma audiência e validar uma ideia de sucesso. Segundo Lucas, a cada novo produto lançado no Twitter, ele se tornava "um pouco mais poderoso", ganhando seguidores e interesse. O processo culminou na 11ª tentativa, Tweet Hunter, que atingiu US$ 1 milhão em receita anual recorrente em menos de um ano antes de ser adquirida pela Lemlist. O método força uma mudança de mentalidade, de uma focada em vender uma ideia a todo custo para uma focada em validação e aprendizado contínuo.

A Estratégia do Volume

O cerne do playbook de Lucas é a disciplina de construir e lançar em público. Ele descreve ter iniciado um desafio em 2021 de lançar um novo produto a cada semana até que algo desse certo. As primeiras dez tentativas, ao longo de quatro meses, foram em grande parte falhas. No entanto, cada lançamento funcionava como um catalisador de conteúdo e engajamento. "A cada novo produto que eu estava lançando no Twitter, eu conseguia um pouco mais de seguidores", afirmou Lucas. Esse efeito composto foi crucial. Ao manter o foco em um público específico — a economia dos criadores — e em um problema persistente, cada produto, bem-sucedido ou não, era relevante para a audiência construída anteriormente.

Jason Calacanis, o apresentador do podcast, validou a tese com um experimento próprio. Ele usou IA para criar uma ferramenta de podcast chamada "Pod Me" por US$ 11. Um único tweet sobre o projeto gerou 1,1 milhão de visualizações. A lição, segundo ambos, é que se estabelecer como um "construtor" no Twitter e compartilhar o processo atrai feedback crítico e engajamento. O objetivo não é a perfeição inicial, mas a validação rápida, obtendo um "não duro ou feedback duro" para iterar ou passar para a próxima ideia.

O Playbook de Influenciadores

Para acelerar o crescimento, Lucas adotou uma abordagem igualmente não convencional para o marketing de influência. Em vez de pagar altas taxas para grandes influenciadores, sua estratégia consistia em "semear" o produto com 50 a 100 microinfluenciadores. Ele oferecia uma taxa base baixa, em torno de US$ 200, e um bônus de sucesso significativo — como US$ 500 se o conteúdo atingisse 50.000 visualizações. Esse modelo se alinha à dinâmica das plataformas de mídia social modernas, onde o algoritmo, e não apenas a contagem de seguidores, determina o alcance. "Não é mais sobre a contagem de seguidores. É sobre o esforço que você coloca no vídeo e se o algoritmo te escolhe", argumentou Calacanis.

Essa tática transforma o marketing de influência de uma aposta cara em uma campanha de baixo custo e alto potencial de viralidade. Em um caso mais extremo, Lucas chegou a ceder 25% de um produto, em um modelo de participação nos lucros, a um influenciador, movimento que ele creditou como fundamental para o sucesso do projeto. Ele critica a falta de parcerias entre construtores e criadores de conteúdo, afirmando que "ambos os lados anseiam para que isso aconteça".

A abordagem de Lucas redefine o lançamento de uma startup não como um evento único, mas como um processo contínuo de experimentação pública. Ao construir abertamente, ele cria uma narrativa, acumula uma audiência leal e valida ideias com risco mínimo. O modelo serve como um manual para fundadores em uma era de desenvolvimento enxuto, onde a distribuição algorítmica e a comunidade são ativos tão valiosos quanto o próprio produto.

Fonte · Brazil Valley | Startup