A alta direção empresarial, representada por 86% dos CEOs, demonstra uma clara demanda por evidências tangíveis do impacto da comunicação nos resultados de negócio. Essa exigência é fundamental para que a comunicação interna seja elevada ao status de prioridade estratégica nas organizações. A constatação provém do VI Informe de Comunicação Interna da Dialenga, que analisou as perspectivas de CEOs e profissionais de Recursos Humanos e Comunicação Interna na Espanha.
Embora 72% dos CEOs reconheçam a comunicação interna como uma alavanca estratégica, apenas 17% dos profissionais da área compartilham dessa percepção em suas empresas. Um dos principais gargalos identificados é a métrica utilizada: a maioria dos profissionais ainda se baseia em indicadores de consumo de conteúdo, como abertura e leitura de mensagens (48%) e interações (44%), em vez de métricas que demonstrem impacto direto no negócio. Indicadores como participação em pesquisas de clima e eNPS são os mais comuns (64%).
A lacuna nas métricas e a visão dos CEOs
A discrepância entre o que os profissionais medem e o que os CEOs desejam saber é notável. A alta direção busca ativamente dados sobre o nível de motivação e energia das equipes (63%), o grau de satisfação geral (58%) e o senso de pertencimento (47%). Essa diferença não se restringe apenas ao que é medido, mas também à agilidade com que a informação é obtida. Apenas 30% dos profissionais de comunicação interna afirmam ter acesso imediato a dados sobre impacto e engajamento dos funcionários. Um percentual significativo, 38%, necessitaria de dias para compilar essas informações, e 32% levariam semanas ou simplesmente não conseguiriam obtê-las.
Essa disparidade de perspectivas se torna ainda mais evidente quando se pergunta o que é necessário para que a comunicação interna seja definitivamente incorporada ao radar estratégico. A exigência de 86% dos CEOs por um impacto claro nos resultados do negócio é um ponto crucial. Cerca de 40% dos profissionais da área concordam que a falta de integração com os KPIs de negócio impede a comunicação interna de convencer a diretoria, enquanto 36% apontam a pouca visibilidade de seus resultados no trabalho diário como um grande problema. Se pudessem escolher, 76% dos profissionais de RH e Comunicação Interna prefeririam medir o essencial para influenciar a direção, em detrimento de relatórios detalhados focados apenas em suas equipes.
Da leitura à ação: o desafio da comunicação
Um dos desafios pendentes, segundo o estudo, é diferenciar a mera atividade do canal de comunicação do efeito real da mensagem. A maioria das empresas coleta métricas básicas, mas estas não indicam se a informação se traduziu em melhores práticas de trabalho. Acompanhamento de comunicações relevantes é escasso: apenas 15% das organizações verificam se suas mensagens são compreendidas e adotadas, enquanto 50% admitem emitir mensagens sem qualquer acompanhamento posterior. O informe sugere um deslocamento do foco das métricas de canal para indicadores que conectem a comunicação à adoção de processos, redução de erros, produtividade, absenteísmo, rotatividade e compreensão dos objetivos estratégicos.
Comunicação como radar organizacional
A necessidade de novos indicadores não é apenas uma demanda da diretoria; os próprios CEOs reconhecem que uma comunicação interna estratégica pode fornecer informações valiosas para antecipar problemas. 53% dos executivos acreditam que uma comunicação interna verdadeiramente estratégica permitiria tomar decisões com maior confiança e detectar falhas internas antes que se agravem. Outros objetivos importantes incluem reduzir a resistência à mudança e fidelizar talentos. A transformação empresarial é um campo onde a participação da área de comunicação é amplamente requisitada, com 65% dos CEOs indicando que teriam valorizado especialmente o apoio ou ideias da comunicação interna na implantação de novas tecnologias ou processos.
Cultura e resultados: a conexão quantificável
O desafio de medir o impacto se estende à cultura organizacional. 73% dos CEOs intuem o prejuízo financeiro causado por rotatividade ou falta de inovação devido a uma cultura de baixa confiança, mas admitem não ter esse custo quantificado. Apenas 27% dispõem de dados econômicos sobre o tema. Este dado resume uma das principais oportunidades de evolução para a comunicação interna: conectar variáveis tradicionalmente qualitativas, como motivação, confiança e pertencimento, a indicadores que permitam compreender sua relação com o funcionamento e os resultados da organização. O objetivo não é apenas ter mais dados, mas aprender a utilizá-los para conectar a experiência dos colaboradores com as prioridades estratégicas da empresa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





