A seguradora Nationale-Nederlanden, de origem holandesa, lançou no mercado espanhol um novo seguro residencial com contratação 100% digital e uma estrutura de coberturas flexível. Batizado de ‘Seguro de Hogar Esencial’, o produto foi desenhado para se adaptar às necessidades de proprietários e inquilinos, permitindo a escolha entre pacotes e serviços modulares.
O movimento, noticiado pela Forbes España, é menos sobre um produto específico e mais sobre um sintoma da transformação em curso no setor de seguros. A rigidez das apólices tradicionais, de pacote único, cede espaço a um modelo que emula a experiência de softwares e serviços digitais: a personalização. A tese é que o consumidor moderno não quer mais pagar por proteções que não utiliza e espera uma experiência de contratação fluida e online.
A desconstrução da apólice
A principal inovação do produto da Nationale-Nederlanden reside na sua modularidade. A oferta se divide em duas modalidades, ‘básico’ e ‘completo’, permitindo que o cliente construa sua proteção. Enquanto o plano de entrada cobre riscos essenciais como incêndio, danos por água e responsabilidade civil, o pacote superior adiciona camadas de proteção mais específicas, como danos elétricos, deterioração de alimentos refrigerados e, notavelmente, avarias em placas solares.
Esta granularidade é uma resposta direta à concorrência das insurtechs, que frequentemente ganham tração ao focar em nichos com produtos altamente específicos. Ao desconstruir a apólice monolítica, seguradoras tradicionais conseguem simular essa agilidade em escala. A inclusão de cobertura para painéis fotovoltaicos, por exemplo, reconhece uma nova realidade residencial e um ativo que seguros convencionais poderiam ignorar, mostrando uma sintonia fina com as mudanças no perfil do consumidor.
Além do sinistro, o serviço
Outro pilar estratégico da oferta é a integração de serviços que transcendem a simples cobertura financeira. O plano completo inclui o ‘Manitas Hogar’, um serviço de pequenos reparos e instalações, e assistência digital remota para problemas com dispositivos eletrônicos. A proposta de valor se desloca do reativo — pagar por um dano — para o proativo e preventivo, oferecendo suporte no dia a dia.
Essa ‘servitização’ do seguro é uma jogada estratégica para aumentar os pontos de contato com o cliente e fortalecer a lealdade, transformando uma relação transacional anual em uma parceria contínua. No Brasil, players como a Porto Seguro há muito exploram essa sinergia entre seguro e serviços, criando um ecossistema em torno do lar e do automóvel. A iniciativa na Espanha mostra que essa é uma tendência global, na qual a seguradora aspira ser mais um provedor de soluções para a casa do que apenas um garantidor financeiro.
A fronteira entre uma apólice de seguro e uma assinatura de serviços para o lar torna-se cada vez mais tênue. O desafio para o setor não é mais se a digitalização e a flexibilidade são o futuro, mas como incumbentes e startups irão competir por relevância em um mercado onde a experiência do usuário e a utilidade cotidiana pesam tanto quanto o valor da cobertura.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España


