O museu Borusan Contemporary, em Istambul, inaugura em 19 de setembro de 2026 duas novas exposições que, embora distintas em suas formas, dialogam diretamente com uma questão central da nossa era: como as imagens moldam nossa percepção da realidade. De um lado, a fotografia do italiano Olivo Barbieri; do outro, uma coletiva de arte digital que investiga a cultura algorítmica.
Segundo o site especializado Hyperallergic, as mostras “Olivo Barbieri: Time Space Geometry” e “Haunted” funcionam como um estudo de caso sobre a mediação tecnológica do real. O ponto de partida é que a imagem nunca é neutra. A análise aqui é que, ao colocar em paralelo a manipulação óptica de um fotógrafo e a construção de realidade por sistemas inteligentes, o museu turco oferece um panorama sobre como a própria definição de “ver” está em transformação.
O olho humano vs. o olho computacional
A exposição de Barbieri, sua primeira na Turquia, reúne mais de quatro décadas de trabalho em que o artista usa a fotografia para intervir na percepção. Ao manipular escala e perspectiva, ele transforma paisagens familiares — de sítios arqueológicos a Alpes — em imagens que parecem simultaneamente reconhecíveis e estranhas. É o olhar humano no controle, usando a tecnologia da câmera não para registrar o mundo, mas para editá-lo, questionando a forma como lugares são vistos e reconstruídos na memória.
Em contraponto, a exposição “Haunted” mergulha no presente e futuro da imagem. Com obras de artistas como Rafael Lozano-Hemmer, teamLab e Memo Akten, a mostra explora como inteligência artificial, algoritmos e tecnologias de dados não são meras ferramentas, mas agentes ativos na produção da realidade. Aqui, a tecnologia não apenas captura ou edita o mundo; ela o gera. A arte considera como a cultura digital e seus sistemas computacionais produzem, percebem e lembram a realidade por nós.
As mostras em Istambul funcionam como um díptico sobre a nossa época. De um lado, o olhar humano que enquadra e edita o mundo. Do outro, o sistema computacional que o gera e o redefine. A questão que paira não é mais apenas “o que é real?”, mas “quem — ou o quê — está no controle da imagem?”.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





